Programa já renegociou R$ 15,9 bilhões em dívidas e agora mira consumidores com dívidas em dia para aliviar impacto dos juros altos

Lançado em maio, o programa Desenrola Brasil renegociou R$ 15,9 bilhões em dívidas. Agora, Lula anuncia ampliação focada em adimplentes que sofrem com altos juros. A nova etapa prevê condições para consumidores com renda de até cinco salários mínimos.
O governo Lula segue ampliando seu programa de renegociação de dívidas, o Desenrola Brasil, que desde seu lançamento em maio já alcançou a impressionante marca de R$ 15,9 bilhões em débitos renegociados. Até agora, o programa atuava principalmente para beneficiar inadimplentes, por meio do Desenrola Famílias, Desenrola Fies e Desenrola Rural, este último ainda sem balanço oficial.
Nesta segunda-feira, em evento realizado no Palácio do Planalto, o presidente anunciou uma nova etapa do programa direcionada a consumidores adimplentes que, embora mantenham suas parcelas em dia, enfrentam dificuldades causadas pelos juros exorbitantes contratados em momentos de alta da Selic. Essa mudança inverte a lógica inicial, deixando de focar apenas os devedores em atraso para tentar aliviar o peso financeiro sobre quem ainda paga rigorosamente suas contas.
A nova modalidade permitirá que famílias com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) renegociem dívidas de cartão de crédito, cheque especial ou empréstimos pessoais sem garantia diretamente com os bancos. O principal requisito para participar será ter ao menos quatro parcelas pagas em dia de uma dívida de até R$ 15 mil. A expectativa é que o governo revele mais detalhes das regras durante a cerimônia de lançamento.
Com mais de 113 mil contratos renegociados apenas no segmento do Fies, que somou R$ 5,9 bilhões, e R$ 10 bilhões em renegociações entre famílias inadimplentes, o programa já reduziu as dívidas para cerca de R$ 2,6 bilhões. A equipe econômica defende que essa ampliação é necessária para dar fôlego a consumidores que, mesmo com pagamentos em dia, carregam um fardo financeiro pesado por causa dos juros elevados, resultado da política monetária rigorosa dos últimos anos.
Além do foco nas famílias, o pacote inclui ainda medidas para micro e pequenas empresas, microempreendedores individuais e produtores rurais, reforçando o protagonismo do governo na tentativa de enfrentar o endividamento crescente da população e setores produtivos, mesmo diante das críticas sobre a eficácia e o impacto dessas políticas no longo prazo.
A iniciativa reforça o discurso do governo Lula em mostrar sensibilidade social frente ao endividamento, mas também expõe o desafio de equilibrar o estímulo ao crédito com a sustentabilidade fiscal e o controle da inflação. A aposta é que, ao negociar condições melhores e juros menores, o programa possa reduzir inadimplência futura e aliviar a pressão sobre famílias e pequenos negócios, embora reste ver o real impacto nas contas públicas e no mercado financeiro.










