Contratação visa proteger estrutura do Caetano Munhoz da Rocha e preparar reconstrução com atraso e incertezas

Estado do Paraná contrata serviços de limpeza para Instituto Caetano Munhoz da Rocha, atingido por incêndio em abril. Medida técnica de R$ 2,1 milhões visa evitar deterioração, mas recuperação permanece incerta.
O Governo do Paraná, via Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) e Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), firmou contrato de R$ 2,1 milhões para executar serviços de limpeza no Instituto de Educação Caetano Munhoz da Rocha, em Paranaguá. O prédio histórico, construído em 1927 e tombado pelo patrimônio estadual, sofreu incêndio em abril e aguarda, até o momento, uma intervenção efetiva para sua reconstrução.
Os serviços, com início previsto para 15 de julho e duração de 360 dias, incluem fechamento provisório da área afetada, instalação de coberturas temporárias, escoramento e remoção de materiais danificados. Oficialmente, a medida visa proteger a estrutura remanescente e garantir segurança, preparando o imóvel para fases futuras de recuperação.
Porém, o ritmo lento das ações e o custo elevado para apenas limpar e proteger o local revelam a ineficiência na gestão do patrimônio público. A falta de um cronograma claro para a restauração definitiva evidencia que o Estado ainda patina diante da responsabilidade de preservar um símbolo educacional e histórico do Paraná.
Eliane Teruel Carmona, diretora-presidente do Fundepar, ressalta que a limpeza é técnica e necessária para evitar agravamento dos danos. Já o secretário Roni Miranda enfatiza a importância da etapa para avançar com segurança nas próximas fases, mas não detalha prazos para a restauração completa.
Uma força-tarefa foi criada logo após o incêndio, mas a lentidão na obtenção de resultados práticos mantém a comunidade escolar e a sociedade em alerta. Paralelamente, o Estado abriu chamamento público até 30 de julho para captar patrocinadores que apoiem consultoria especializada para conduzir estudos e acompanhamento técnico do processo de recuperação.
Este modelo, que depende de doações e patrocínios, pode indicar dificuldades orçamentárias e falta de prioridade política para o patrimônio cultural sob responsabilidade do governo estadual.
Limpeza não resolve o desafio da reconstrução
A limpeza do Instituto marca um avanço tímido diante dos danos causados. A ação de quase um ano de duração e valor milionário apenas para conter a deterioração contrasta com a urgência de um plano robusto e transparente para a reconstrução. Enquanto isso, o prédio histórico permanece vulnerável e sem uso.
Patrimônio em risco e gestão sob pressão
O episódio expõe as contradições na gestão pública: promessa de recuperação, demora nas ações concretas e dependência de parcerias externas para tocar o projeto. O desgaste institucional pode crescer, sobretudo se a comunidade escolar não observar avanços efetivos em curto prazo.
A situação do Instituto Caetano Munhoz da Rocha é mais um reflexo da dificuldade do Estado em aliar preservação do patrimônio histórico à eficiência administrativa, com impactos diretos na educação e na imagem do governo.
Fonte: parana.pr.gov.br










