Governo afunda contas com déficit primário recorde de R$ 53,3 bi em maio


Despesas disparam 9,4% acima da inflação e pressionam finanças públicas, enquanto arrecadação cresce menos

Governo afunda contas com déficit primário recorde de R$ 53,3 bi em maio
Dinheiro em circulação simboliza o desequilíbrio fiscal crescente do governo — Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

O governo afundou as contas públicas ao registrar em maio o maior déficit primário para o mês desde 2024: R$ 53,3 bilhões. As despesas cresceram quase o dobro da arrecadação, puxadas por custeio da máquina e investimentos, revelando descontrole fiscal e risco à meta de 2026.

O governo federal anunciou um déficit primário de R$ 53,3 bilhões em maio de 2026, o pior resultado para o mês desde 2024, quando ajustado pela inflação. O dado divulgado pelo Tesouro Nacional revela o descontrole nas contas públicas, com despesas subindo 9,4% acima da inflação, quase o dobro do crescimento das receitas, que avançaram apenas 5,5%. Essa discrepância expõe a perda de controle do governo sobre os gastos, sobretudo em um cenário onde a meta oficial ainda prevê superávit para o ano.

Despesas disparam e desestabilizam finanças públicas

O principal motor do déficit está no aumento acelerado das despesas discricionárias, que incluem desde o custeio da máquina pública até investimentos, que cresceram 73,9% em termos reais. O custeio administrativo subiu 19,7% e os benefícios previdenciários aumentaram R$ 4,9 bilhões, refletindo maior pressão sobre o orçamento. Além disso, as emendas parlamentares tiveram execução reforçada, com R$ 49,9 bilhões previstos para 2026, dos quais R$ 37,8 bilhões são execução obrigatória, mostrando o peso político na expansão dos gastos.

Arrecadação cresce, mas insuficiente para conter rombo

Apesar do déficit, a arrecadação federal alcançou R$ 266,8 bilhões em maio, o maior valor para o mês desde 2000, impulsionada por aumentos robustos na CSLL (+36,7%), IOF (+30,4%) e royalties do petróleo (+84,5%). Contudo, o crescimento foi insuficiente para cobrir o avanço das despesas, especialmente após a queda nos dividendos das estatais, que recuaram para R$ 2,3 bilhões, ante R$ 9,6 bilhões no mesmo mês do ano anterior.

Precatórios e pagamentos judiciais pressionam ainda mais

Outro fator que agravou o déficit foi o pagamento antecipado de precatórios em maio, diferente do ano anterior, quando ocorreu em junho. Essa antecipação impactou significativamente grupos de despesas, como benefícios previdenciários (alta de R$ 42,7 bilhões), pessoal e encargos sociais (R$ 19,2 bilhões) e sentenças judiciais relacionadas ao custeio e investimentos (R$ 35,4 bilhões).

Déficit acumulado já supera superávit do ano passado

No acumulado de janeiro a maio, o governo central registrou déficit de R$ 44,4 bilhões, uma mudança drástica em relação ao superávit de R$ 32,9 bilhões no mesmo período de 2025. Este é o pior desempenho para os cinco primeiros meses do ano desde o início da pandemia de covid-19, refletindo o descontrole fiscal evidente.

Meta fiscal ameaçada e risco crescente

A meta oficial para 2026 prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões, mas já há previsão de encerramento do ano com déficit próximo de R$ 60,3 bilhões, o que representa um forte sinal de desgaste político e fiscal. O secretário do Tesouro, Daniel Leal, minimiza, afirmando que o resultado está dentro das expectativas, mas a realidade mostra um governo ainda incapaz de frear a expansão desordenada dos gastos, o que pode inaugurar uma série de dificuldades para a governança econômica e o cumprimento das metas fiscais.


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