Moraes pressiona Bolsonaro: decisão sobre domiciliar após arma apreendida


Ministro do STF ouvirá defesa do ex-presidente antes de decidir se mantém ou revoga prisão domiciliar após caso da pistola

Moraes pressiona Bolsonaro: decisão sobre domiciliar após arma apreendida
Ministro Alexandre de Moraes e defesa de Bolsonaro se reúnem para discutir prisão domiciliar — Foto: REUTERS/Diego Herculano

Alexandre de Moraes receberá advogados de Bolsonaro para decidir se mantém prisão domiciliar após apreensão de arma registrada em nome do ex-presidente.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, marca um encontro crucial nesta terça-feira com os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro para definir o futuro da prisão domiciliar humanitária que beneficia o condenado por tentativa de golpe de Estado em 2022. O benefício, inicialmente concedido por 90 dias, expirou na última quinta-feira, e a recente apreensão de uma pistola Glock calibre 9 mm registrada em nome do ex-chefe do Executivo reacende o debate sobre a manutenção do regime.

A defesa argumenta, com precisão, que a arma estava inoperante e destinada a conserto após falha mecânica, e que a lei que prevê falta grave para posse irregular de arma foi pensada para o ambiente carcerário, não se aplicando de forma automática à prisão domiciliar humanitária. Bolsonaro, em depoimento, reforçou que a pistola foi retirada da residência sem sua autorização para manutenção, justificando a necessidade de se manter armado por morar com três mulheres.

Por outro lado, Moraes já sinalizou que a posse indevida de arma pode configurar falta grave, o que segundo a Lei de Execução Penal, justifica a revogação do benefício. A Procuradoria-Geral da República adota postura cautelosa e defende aguardar a conclusão das investigações antes de decidir. A arma foi apreendida durante blitz da Lei Seca, transportada por militar do Gabinete de Segurança Institucional sem a documentação legal necessária.

Este episódio não é inédito na trajetória judicial de Bolsonaro. Em outra ocasião, a prisão domiciliar foi revogada após ele romper a tornozeleira eletrônica e organizar vigília em sua defesa, o que levou Moraes a decretar prisão preventiva por risco de fuga.

Moraes na encruzilhada jurídica e política

A audiência desta terça não é apenas um protocolo jurídico, mas um momento de pressão intensa, onde o ministro do STF equilibra os fundamentos legais, a imagem do Judiciário e o peso político de uma decisão que repercute nacionalmente. A manutenção da prisão domiciliar pode ser vista como concessão diante de um condenado com histórico de desrespeito às medidas judiciais; a revogação, por sua vez, pode elevar ainda mais o desgaste institucional e os embates políticos já visíveis.

Defesa tenta desconstruir falta grave

Os advogados insistem que não houve falta grave e que o regime domiciliar não deve ser equiparado à prisão convencional. Reforçam que não houve ordem judicial para apreensão da arma nem comunicação sobre perda do registro, tentando desmontar a narrativa que poderia justificar a revogação.

PGR e Polícia Civil no meio do fogo cruzado

Enquanto a PGR recomenda prudência, a Polícia Civil do Distrito Federal investiga o transporte irregular da arma pelo militar do GSI. O resultado dessas apurações pode ser decisivo para a próxima movimentação judicial.

Moraes, portanto, está diante de um teste de firmeza e sensibilidade jurídica, numa fase onde o Supremo é palco de embates intensos e decisões que impactam diretamente o tabuleiro político do país.


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