Direita lidera bancada feminina no Senado e no segundo turno em 2026

Mulheres da direita dominam disputa final a governos estaduais; esquerda não tem candidatas femininas no segundo turno

Direita lidera bancada feminina no Senado e no segundo turno em 2026
Mulheres da direita são maioria entre senadoras eleitas em 2026 (Divulgação/Campanha Flávio Bolsonaro)

A eleição de 2026 marcou a maior presença de mulheres da direita eleitas para o Senado desde 2014, com cinco senadoras e quatro candidatas femininas no segundo turno para governos estaduais. A esquerda não tem mulheres na disputa final para os Executivos estaduais neste ano.

A eleição de 2026 consolidou a direita como o campo com maior número de mulheres eleitas para o Senado e com candidatas femininas na disputa do segundo turno para governos estaduais. Foram cinco senadoras eleitas pela direita, contra quatro da esquerda e três de partidos de centro, segundo levantamento da Gazeta do Povo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2014 a 2026. No segundo turno marcado para 25 de outubro, as quatro mulheres que disputam os governos estaduais são todas de partidos de direita: Celina Leão (PP-DF), Mailza Assis (PP-AC), Professora Maria do Carmo (PL-AM) e Professora Dorinha (União-TO). Já a esquerda não tem candidatas femininas na fase final, cenário que difere de 2022, quando Fátima Bezerra (PT) foi a única governadora eleita no primeiro turno. A única governadora eleita em 2026 no primeiro turno é Raquel Lyra (PSD-PE), partido que se declara de centro. A cientista política Malu Gatto, doutora pela Universidade de Oxford, atribui o avanço das candidatas da direita a uma estratégia articulada em torno da senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF), que fez campanha para mulheres do seu partido e aliados, além de reforçar a presença feminina como forma de atrair eleitorado feminino, especialmente após 2018, quando Jair Bolsonaro enfrentou rejeição maior entre eleitoras. No Senado, além de Michelle Bolsonaro, compõem a bancada feminina da direita Bia Kicis (PL-DF), Caroline De Toni (PL-SC), Gracinha Caiado (União-GO) e Mara Rocha (Republicanos-AC). Na Câmara, a direita ampliou sua bancada feminina de 11 deputadas em 2014 para 44 em 2026, quase igualando a esquerda, que elegeu 47 deputadas. Apesar da disparidade proporcional – 36% das mulheres eleitas são do PT contra 18% do PL –, em números absolutos as bancadas são próximas. Outro fator que favoreceu as candidaturas femininas em 2026 foi o escândalo do Banco Master, que trouxe a corrupção para o centro do debate eleitoral. Mulheres são percebidas como um antídoto contra a corrupção, o que incentivou os partidos a priorizarem candidatas femininas para conquistar votos. A classificação dos partidos considerou a autodeclaração publicada pelo Valor Econômico em setembro, reunindo partidos de centro-direita com a direita, e de centro-esquerda com a esquerda. O cenário eleitoral ainda pode sofrer alterações em decorrência de candidaturas sub judice. A eleição confirma uma tendência de crescimento da presença feminina na política brasileira, com destaque para a direita que, desde 2018, vem ampliando sua bancada feminina e presença em disputas majoritárias.

Fonte: gazetadopovo.com.br