Pré-candidato do Novo rejeita tentativa de golpe e mantém apoio jurídico a Bolsonaro, mostrando uma postura ambígua

Romeu Zema rompe com Bolsonaro ao repudiar a tentativa de golpe, mas mantém apoio à anistia do ex-presidente, evidenciando contradição na campanha presidencial.
Romeu Zema, pré-candidato do Novo à Presidência e ex-governador de Minas Gerais, marcou um claro afastamento do bolsonarismo ao condenar firmemente a tentativa de golpe de Estado atribuída a Jair Bolsonaro. Em debate promovido pelo grupo Derrubando Muros, em São Paulo, Zema afirmou: “Sou totalmente contrário a qualquer tentativa de golpe”.
No entanto, o político não se desvinculou completamente do ex-presidente. Reafirmou que sua aproximação com Bolsonaro foi circunstancial, amparada na oposição comum ao PT, especialmente em Minas Gerais, onde atribui ao partido a “destruição” do estado. Ele deixou claro que apoiou Bolsonaro no segundo turno de 2022 única e exclusivamente para enfrentar o PT, reforçando que nunca esteve no mesmo partido do capitão reformado e que Bolsonaro nunca fez campanha para ele.
Na pandemia, Zema ressaltou sua postura distinta da adotada por Bolsonaro, enfatizando sua confiança na Ciência e na condução estadual. Também declarou ser democrata convicto e confiável nas urnas eletrônicas, apesar de defender a implementação de mecanismos impressos para auditorias aleatórias, sinalizando uma posição moderada quanto à segurança eleitoral.
A contradição maior surgiu quando Zema expressou apoio à anistia a Jair Bolsonaro, condenado em setembro de 2025 pelo STF a mais de 27 anos de prisão por participação na tentativa de golpe. O ex-governador defendeu que o caso poderia ser submetido a um novo julgamento, reforçando sua posição pró-anistia apesar do claro repúdio ao golpe.
Distanciamento com amarras
A fala de Zema evidencia uma estratégia delicada: distanciar-se do bolsonarismo em temas centrais como democracia e pandemia para ampliar seu espectro eleitoral, enquanto mantém laços políticos e jurídicos que podem garantir apoio em setores conservadores e evitar rupturas bruscas com eleitores alinhados ao ex-presidente. Essa ambiguidade pode ser interpretada como tentativa de ocupar o centro-direita sem perder adeptos bolsonaristas mais moderados.
Impacto e cenário eleitoral
A posição de Zema deve repercutir no tabuleiro político de 2026, onde a polarização entre petistas e bolsonaristas ainda domina. Ao condenar o golpe, o pré-candidato se distancia das narrativas radicais, mas ao defender anistia, sinaliza que não pretende romper definitivamente com Bolsonaro, mantendo o jogo aberto para alianças e apoios futuros. Este movimento pode tanto ampliar sua base quanto gerar críticas de setores que cobram uma ruptura mais clara com o bolsonarismo.
Zema chega ao debate presidencial adotando um discurso crítico, mas calculado, que reflete a complexidade e o desgaste do bolsonarismo no pós-golpe, enquanto tenta se posicionar como alternativa viável dentro da direita brasileira.








