Estratégia mira negociação com EUA para evitar taxa de 25% em produtos brasileiros às vésperas das eleições americanas

Com prazo final para decisão americana se aproximando, governo Lula aposta em diálogo e redução de tarifas para setores dominados por EUA. Estratégia mira evitar impacto político negativo diante de eleições presidenciais nos EUA.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva aposta em uma combinação de diálogo e concessões para evitar o que foi apelidado de “tarifaço” por parte dos Estados Unidos, que ameaça taxar em 25% produtos brasileiros. A nove dias do prazo final para a decisão americana, Brasília propõe uma redução de alíquotas em setores dominados por empresas americanas, como máquinas, equipamentos médicos e tecnologia da informação, além de uma nova reunião virtual entre o ministro da Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.
Estratégia em meio a pressões políticas
Apesar do esforço, auxiliares do governo manifestam pessimismo sobre o sucesso da iniciativa, apontando que o presidente Donald Trump, já em campanha para as eleições de outubro, tem pouco interesse em favorecer o governo petista. A tensão politica se agrava com a atuação do senador Flávio Bolsonaro, que, apesar de pedir o adiamento do tarifaço, pode tentar capitalizar politicamente a medida caso ela não seja barrada. O governo Lula já sinalizou que disputará a narrativa.
Pacote de medidas e ‘mapa do caminho’
Para despolitizar a negociação, o governo brasileiro enviou ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA um pacote chamado “mapa do caminho”, com propostas para abordar temas levantados na investigação americana, como comércio digital, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. Contudo, o Pix, alvo da investigação por supostas políticas desleais, não será discutido pelo Brasil.
Audiência e participação do setor privado
Uma audiência promovida pelo órgão americano para apresentação de argumentos sobre o tarifaço contará com a participação de representantes do setor privado brasileiro, mas não terá a presença do governo brasileiro, que entende ser papel do mercado defender os interesses nacionais nessa fase. Flávio Bolsonaro confirmou presença para defender o adiamento da taxação.
Risco de sobretaxa e impacto econômico
Além da tarifa de 25%, há ainda uma proposta de sobretaxa de 12,5% relacionada a alegações de trabalho forçado no Brasil, que poderia elevar a taxação a 37,5%. Empresas brasileiras alertam para o impacto negativo da medida, que elevaria custos para consumidores e reduziria investimentos e empregos no Brasil.








