Estratégia de defesa apela ao histórico de operações anuladas para deslegitimar apuração e atrair simpatia

Alvos do caso Master apelam ao discurso da 'nova Lava-Jato' para atacar investigação, mas STF, PGR e PF já tomam medidas para blindar o inquérito contra nulidades e vazamentos.
A tentativa de alguns alvos do caso Master de transformá-lo em uma espécie de ‘nova Lava-Jato’ não é inocente: funciona como arma política para desgastar a investigação e buscar a anulação de provas. Políticos como Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI) usam o discurso da ‘perseguição’ e da ‘espetacularização’ para tentar virar o jogo a seu favor. O senador petista, por exemplo, desqualificou publicamente a atuação da Polícia Federal, chamando de ‘patacoada’ a divulgação de imagens de dinheiro apreendido, numa clara tentativa de minimizar a gravidade das suspeitas que o envolvem, incluindo a suspeita de receber vantagens indevidas, como um apartamento milionário para sua filha.
Já Ciro Nogueira disse que o caso seria uma ‘tentativa de manchar sua honra’, evocando a experiência da Lava-Jato para tentar desacreditar a investigação. O histórico de outras operações, como a anulação da Castelo de Areia, serve de argumento para contestar o processo, mas as autoridades já estão atentas a esses movimentos. O relator do caso no STF, ministro André Mendonça, adotou medidas rigorosas, como compartimentação da investigação e restrição de acesso a dados para impedir vazamentos e nulidades. A Polícia Federal também implementou ações internas, inclusive buscas para coibir vazamentos a respeito de conversas íntimas de envolvidos.
No Supremo, o ministro Gilmar Mendes chegou a comparar o caso Master à Lava-Jato, mas com ‘nova roupagem’, enfatizando a complexidade e os riscos de abusos. Mendonça rebateu, afirmando que não se trata apenas de ‘crime do colarinho branco’, mas de um esquema com ‘contornos de máfia’. Essa defesa pública do relator busca afastar a politização do tema e colocar ênfase na gravidade das acusações.
A cautela no trato da investigação é unanimidade entre a PF, PGR e STF, justamente para evitar brechas que possam ser exploradas pelas defesas. O cenário revela um clássico embate entre o avanço das investigações contra o establishment político e a reação dos alvos, que tentam transformar o inquérito em um espetáculo midiático e judicial para ganhar tempo e enfraquecer a apuração. O desenrolar do caso Master promete ser um teste para a robustez das instituições em manter a investigação firme diante das pressões políticas e jurídicas.








