Lula trava em Senado e corre contra o tempo para aprovar prioridades antes da eleição


Impasse com presidente do Senado e calendário eleitoral apertado emperram agenda legislativa do Planalto

Lula trava em Senado e corre contra o tempo para aprovar prioridades antes da eleição
Presidente Lula enfrenta resistência no Senado em meio a prazo apertado para aprovar propostas-chave — Foto: Christian Hartmann / Reuters

Com prazo curto até o recesso e início da eleição, Lula enfrenta bloqueios no Senado, especialmente pela relação deteriorada com Davi Alcolumbre, que ameaça atrasar votações cruciais para o governo.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um cenário cada vez mais desafiador para destravar sua agenda legislativa no Congresso. Com apenas duas semanas até o início do recesso parlamentar e a contagem regressiva para o processo eleitoral, a pressão para aprovar projetos prioritários é enorme, mas a realidade no Senado aponta para impasses que podem comprometer essa missão.

A relação azedada entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é um dos principais obstáculos. Desde a derrota histórica imposta ao petista com a rejeição do indicado Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, em abril, o diálogo direto entre os dois chefes dos Poderes foi interrompido. Alcolumbre sinaliza que pautas importantes só devem avançar após uma conversa pessoal, que ainda não ocorreu.

Impasses no Senado emperram agenda do Planalto

Entre as propostas emperradas no Senado estão a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1, considerada prioridade número um do governo e vista como possível marca da gestão Lula. Embora a expectativa seja votar o tema no segundo semestre, o presidente da Casa tem demonstrado sinais dúbios sobre a tramitação antes das eleições. Caso Alcolumbre adie a pauta para depois do pleito, o governo prepara pressão política e mobilização nas ruas e redes sociais para forçar o avanço.

Outros projetos-chave também estão parados: a PEC da Segurança Pública, aprovada na Câmara, e o projeto estratégico das terras raras, que ganhou urgência diante das novas sanções americanas contra o Brasil. A manutenção desses bloqueios revela o desgaste do Planalto para controlar a agenda do Senado e negociar com o presidente da Casa.

Pautas-bomba ameaçam contas públicas e governo corre para evitar avanços

Além das prioridades, Lula precisa barrar a aprovação de pautas-bomba que pesam no orçamento, como o projeto de renegociação de dívidas de produtores rurais, que voltou para a Câmara e ainda gera discussões cautelosas. O presidente da Câmara, Hugo Motta, reuniu bancada ruralista e governo para ajustar uma nova proposta, mas a votação deve ficar para o segundo semestre.

Na Câmara, o governo tenta acelerar temas como a criminalização da misoginia, com urgência aprovada recentemente, apesar das controvérsias envolvendo a bancada cristã e a proteção da liberdade religiosa.

No Senado, cresce a apreensão com a PEC que cria regimes especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e combate a endemias, com impacto estimado em R$ 30 bilhões em dez anos. Lula tenta bloquear a tramitação, mas Alcolumbre adiantou que seguirá o rito regimental, apesar de sinais ambíguos se a proposta será votada em primeiro turno apenas.

Calendário apertado e sessões semipresenciais complicam negociações

Com a proximidade do recesso e o início da campanha eleitoral, o Congresso deve ficar esvaziado e em sessões semipresenciais, dificultando a interlocução direta do governo com parlamentares para costurar acordos. Uma sessão do Congresso para analisar vetos presidenciais, importante para evitar derrotas políticas, está em aberto. Alcolumbre chegou a convocar uma para junho, mas cancelou após investigação da Polícia Federal atingir o então líder do governo no Senado.

A nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que buscará restabelecer o diálogo institucional entre Lula e Alcolumbre, mas o cenário permanece incerto. Enquanto isso, o Planalto corre contra o relógio para evitar que sua agenda prioritária seja engolida pelo calendário eleitoral e pela resistência no Congresso.


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