O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, reforçou nesta terça-feira a necessidade de condenação dos dez réus do chamado “núcleo 3” da trama golpista que visava manter Jair Bolsonaro no poder. Segundo Gonet, as investigações revelam uma “disposição homicida e brutal” por parte da organização criminosa.
O núcleo 3, composto por nove militares do Exército e um policial federal, é acusado de monitorar o ministro Alexandre de Moraes no final de 2022. O objetivo seria sequestrar e assassinar o ministro, ou “neutralizá-lo”, conforme detalhado na denúncia apresentada pela PGR.
Durante o julgamento, Gonet apresentou mensagens que indicariam a intenção dos réus de “matar” adversários, com Moraes sendo um dos principais alvos. A denúncia também aponta que o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin também foram monitorados, com planos de assassiná-los antes da posse em janeiro de 2023.
De acordo com a PGR, a Polícia Federal (PF) encontrou documentos detalhando o plano “Punhal Verde e Amarelo” e a “Operação Copa 2022”, que continham informações sobre a execução do plano golpista. Outras provas incluem o rastreamento de celulares e veículos que teriam sido usados para monitorar Moraes entre novembro e dezembro de 2022.
Gonet também mencionou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de sete aliados, argumentando que isso “tornou incontroversa a materialidade dos fatos”. O julgamento do núcleo 3 terá continuidade em sessões agendadas para os dias 12, 18 e 19 de junho. O processo está sendo analisado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que é composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia.
Os dez réus do núcleo 3 enfrentam acusações de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. Os acusados são conhecidos como “kids-pretos”, militares que integraram o grupamento de forças especiais do Exército e que teriam pressionado os comandantes das Forças Armadas a aderirem ao plano golpista.
Entre os réus estão nomes como Bernardo Romão Correa Netto (coronel), Estevam Theophilo (general) e Wladimir Matos Soares (policial federal). No caso do tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior, a PGR solicitou a desclassificação da acusação para o crime de incitação das Forças Armadas contra os poderes constitucionais, o que poderia abrir caminho para um acordo.
Até o momento, o STF já condenou 15 réus envolvidos na trama golpista, incluindo sete do Núcleo 4 e oito do Núcleo 1, liderado por Jair Bolsonaro. O julgamento do Núcleo 2 está previsto para iniciar em 9 de dezembro.
Fonte: http://agorarn.com.br










