Especialistas apontam caráter político da medida e alertam para necessidade de buscar mercados alternativos

Tarifa adicional de 25% dos EUA sobre etanol brasileiro tem impacto pontual e reflete pressão política, enquanto Brasil reforça busca por mercados alternativos.
A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos ao etanol brasileiro expõe mais um capítulo da pressão política do governo americano sobre o Brasil, com impactos econômicos limitados e maior reflexo em setores exportadores específicos. Especialistas consultados pela Agência Brasil destacam que o peso do mercado americano nas exportações brasileiras de etanol já vinha caindo, representando atualmente menos de 16% do volume total. Luiz Carlos Delorme Prado, professor da UFRJ, reforça que o efeito da tarifa é pontual e que o Brasil continuará buscando mercados alternativos para o biocombustível, diante da imprevisibilidade e falta de racionalidade nas políticas comerciais dos EUA sob o governo Trump.###Efeito político domina cenário comercialA imposição da tarifa não parece motivada por questões comerciais legítimas, mas por uma agenda política dos EUA para a América Latina, segundo Delorme. Ressalta-se que o Brasil cumpre as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que o declínio nas importações americanas de etanol decorre da expansão da produção brasileira, especialmente do etanol de milho. O governo brasileiro rejeita as acusações de práticas discriminatórias e mantém diálogo institucional para resolver divergências comerciais.###Competitividade estrutura o setor sucroalcooleiro brasileiroO Brasil mantém vantagens competitivas estruturais que reforçam sua posição no mercado global. O clima e solo favorecem a produção dupla de safras, com destaque para o crescimento do etanol produzido a partir do milho, que deve atingir 30% da produção até 2030. A integração com a pecuária e o uso de biomassa para geração de energia reduzem custos, conferindo superioridade técnica e econômica frente ao etanol americano, que depende do milho e de compra de energia externa.###Setor reage com cautela e confiança no diálogoAs entidades do setor, como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), reconhecem o impacto restrito da tarifa mas alertam para os riscos de precedentes negativos. Ambas reiteram confiança no governo brasileiro para manter negociações baseadas no respeito às regras internacionais e preservação da parceria bilateral estratégica, essencial para a transição rumo a uma economia de baixo carbono.###Aposta em diversificação e resiliênciaO episódio reforça o cenário complexo das relações comerciais com os EUA, marcado por medidas de retaliação com motivações políticas claras e instabilidade regulatória. O Brasil aposta em sua competitividade, busca mercados mais confiáveis e amplia sua capacidade produtiva para manter sua posição como líder global no setor de etanol, mitigando riscos e fortalecendo sua inserção internacional.








