Senador tem ligação controversa com empresa sob suspeita em investigação da PF

Senador Flávio Bolsonaro emitiu três notas fiscais para empresas ligadas ao Caso Master, duas foram canceladas. A relação envolve nomes sob suspeita pela Polícia Federal.
O senador Flávio Bolsonaro voltou a se encontrar no centro de uma controvérsia envolvendo operações financeiras suspeitas. Dados obtidos pela CNN confirmam que o escritório do parlamentar emitiu, em poucos dias, três notas fiscais de R$ 500 mil cada para prestar “assessoria jurídica” a empresas que aparecem no radar do Caso Master, investigação conduzida pela Polícia Federal.
Duas dessas notas, emitidas em 7 de abril de 2025 para a Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A., empresa sob suspeita de ligação com o grupo Banco Master, foram canceladas pouco depois. Já a terceira, emitida em 9 de abril para a Contábil Correa, permaneceu válida. Ambas as empresas tiveram em comum o administrador Rogério Lourenço Novo, já investigado pela PF por suposta participação em um esquema milionário de notas fiscais falsas para evasão fiscal entre 2013 e 2015, caso que foi arquivado.
Outro nome que chama atenção é Artur Figueiredo, que era sócio majoritário da Copenhagen e diretor financeiro da Trustee DTVM, principal administradora dos fundos ligados ao Banco Master. A Trustee declarou não ter ingerência nas relações comerciais da Copenhagen ou qualquer pagamento envolvendo o Banco Master.
Flávio Bolsonaro, em vídeo nas redes sociais, negou qualquer irregularidade, afirmando que recebeu R$ 500 mil por serviços advocatícios privados, sem vínculo com Daniel Vorcaro, principal investigado no Caso Master. Ele destacou ter recusado prestar serviços para a Copenhagen, que, segundo ele, é usada pelo empresário para pagamentos suspeitos.
A coincidência das emissões e cancelamentos das notas, junto à relação com nomes já conhecidos da Polícia Federal, reabre dúvidas sobre os vínculos do senador com empresários sob investigação. Até o momento, não há confirmação de inquérito aberto para apurar diretamente a atuação da Contábil Correa ou o motivo dos cancelamentos das notas fiscais.
Relações sob suspeita
O fato de Flávio Bolsonaro emitir e depois cancelar notas para a Copenhagen, empresa ligada a um fundo investigado, e manter emissão para outra empresa ligada ao mesmo administrador, expõe o parlamentar a mais questionamentos sobre suas conexões no mundo empresarial que orbitam investigações criminais.
Negativas oficiais e tentativas de esclarecimento
O senador reafirmou ter atuado dentro da legalidade. A Trustee DTVM, por sua vez, se afastou das relações comerciais da Copenhagen, que segue no centro do Caso Master.
O episódio reforça o desgaste político do grupo Bolsonaro diante da crescente pressão da investigação sobre operações financeiras suspeitas e possíveis esquemas de corrupção ligados a pessoas próximas.
A reportagem segue tentando contato com os envolvidos para esclarecimento e manterá o acompanhamento das repercussões políticas e jurídicas deste caso.








