Investigação expõe manobra para dificultar apuração e reacende alerta sobre evasão do publicitário ligado a Vorcaro

Polícia Federal identifica troca constante de celulares e fechamento da agência MiThi como sinais claros de tentativa de fuga de Thiago Miranda, ligado a Daniel Vorcaro. PF pede apreensão do passaporte para evitar evasão do publicitário.
A Polícia Federal elevou o tom contra Thiago Miranda, publicitário ligado ao empresário Daniel Vorcaro, ao pedir ao Supremo Tribunal Federal a apreensão do passaporte do investigado, além da proibição de saída do país. A motivação da PF vai além da simples investigação do Banco Master: indícios apontam para uma tentativa clara de fuga diante do avanço das apurações.
Segundo o documento encaminhado ao ministro André Mendonça, foram encontrados registros de troca constante de números de telefone por parte de Miranda justamente após a divulgação da investigação contra o Banco Master e sua ligação com Vorcaro. Essa mudança reiterada de telefones é interpretada pela PF como tentativa de furtividade para evitar o rastreamento das autoridades.
Outro elemento que reforça o risco é o recente encerramento das atividades da Miranda Comunicação, conhecida no mercado como Agência MiThi, empresa de Thiago Miranda cujo fechamento foi constatado em um dos endereços alvo de busca. A empresa teria fechado há cerca de dez dias, em um movimento que a PF interpreta como estratégia para dificultar o acesso a informações financeiras e operacionais.
Além disso, a PF chama atenção para a notícia de que Miranda planejava viajar para Miami, nos Estados Unidos, na segunda-feira seguinte à operação que cumpriu busca e apreensão na casa do publicitário. A operação foi deflagrada em um horário atípico na tarde da quinta-feira (9) justamente por causa da permanência inesperada do investigado em Brasília, que solicitou reembolso de passagem com destino ao Rio de Janeiro para o dia anterior, em um roteiro que contraria a rotina esperada.
No próprio dia da operação, o delegado responsável relatou que Miranda desligou rapidamente o celular ao perceber a chegada da PF, dificultando assim o acesso a dados que poderiam ser relevantes para as investigações.
Diante desses indícios, o ministro André Mendonça atendeu ao pedido da PF, determinando a suspensão do passaporte de Miranda no sistema de controle de tráfego aéreo para impedir sua saída do Brasil.
Em resposta, a defesa de Thiago Miranda emitiu nota afirmando que o publicitário tem colaborado integralmente com as investigações, comparecendo voluntariamente a todos os atos e negando veementemente qualquer irregularidade. A defesa aposta na improcedência das suspeitas e na demonstração da inocência ao final do processo.
PF endurece para conter fuga e blindar investigação
A movimentação da Polícia Federal reflete a preocupação com a possibilidade de fuga, que poderia comprometer a investigação e enfraquecer a cobrança por transparência no caso do Banco Master. A troca de celulares e o fechamento da agência MiThi, aliados ao roteiro atípico de viagens, formam um quadro robusto para a PF justificar a apreensão do passaporte.
Defesa aposta em colaboração e nega irregularidades
Apesar da pressão da PF, Miranda mantém a linha de colaboração e nega qualquer envolvimento em irregularidades. A controvérsia segue aberta e o desenrolar das investigações promete manter o caso sob intenso escrutínio político e midiático, evidenciando a tensão entre investigação judicial e estratégias pessoais dos investigados.
A situação expõe o desgaste crescente em torno do caso Banco Master, onde a articulação de defesa e a atuação da PF criam um embate que pode definir novos rumos para a operação e seus desdobramentos políticos.









