Cotada para vice na chapa de Flávio, ex-executiva de Guedes critica gastos de Lula e propõe ajuste rigoroso

Daniella Marques, cotada para vice na chapa de Flávio Bolsonaro, rejeita ser chamada de 'Paulo Guedes de saia' e apresenta uma agenda fiscal que prioriza cortes nos privilégios e modernização da gestão pública, criticando a política de gastos do governo Lula.
Daniella Marques, administradora e ex-executiva do Ministério da Economia, rejeita o rótulo de “Paulo Guedes de saia”, comumente utilizado nos bastidores da campanha de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência. Cotada para ocupar a vaga de vice na chapa, ela enfatiza que seu papel é complementar ao do ex-ministro e defende o legado econômico do governo Bolsonaro, ainda que com uma postura mais cautelosa e pragmática em relação às medidas para ajuste fiscal.
Proposta fiscal e governança compartilhada
A coordenadora da agenda econômica da campanha critica o atual arcabouço fiscal vigente, classificando-o como uma “peça de ficção”. Propõe a criação de uma instância de governança que envolva os três Poderes na discussão e no controle das despesas públicas, visando corresponsabilizá-los na solução da crise fiscal. A âncora fiscal ainda está em debate, mas a ideia central é controlar a trajetória da dívida por meio de revisão de gastos, redução de privilégios e aprimoramento da gestão dos ativos da União.
Corte de gastos e combate ao desperdício
Daniella descarta a possibilidade de cortes em programas sociais, apontando que os gastos com assistência são muito menores do que os dispêndios com juros da dívida. O foco, segundo ela, deve estar nos “penduricalhos”, privilégios, gastos tributários e na má gestão de estatais e ativos públicos, que hoje se encontram sucateados e utilizados para acomodar interesses político-eleitorais.
Gestão das estatais e ativos públicos
Ela defende um choque de gestão nas estatais, com fortalecimento da profissionalização e independência técnica, antes de considerar privatizações. Cita os Correios como exemplo de má gestão e alerta para a necessidade de um marco regulatório que permita maior eficiência e transparência. A gestão ruim dos ativos e passivos da União resulta em um custo financeiro elevado, e a securitização de dívida ativa pode gerar recursos na casa dos R$ 150 a 250 bilhões para reduzir o endividamento público.
Caixa Econômica e inclusão financeira
Daniella enxerga a Caixa Econômica Federal como uma ferramenta essencial para fomentar o empreendedorismo e a mobilidade social, transformando o banco numa alavanca para a prosperidade, com foco em crédito, orientação e inclusão financeira, além de continuar seu papel como operador de políticas públicas.
Crítica ao governo Lula e posicionamento na campanha
Ela critica a postura do governo Lula, que, segundo ela, mantém gastos como se ainda enfrentasse uma pandemia, numa tentativa de se reeleger. Em relação à campanha, afirma que seu foco é contribuir para o projeto liderado por Flávio Bolsonaro, independentemente de cargos, e que seguirá na campanha mesmo que seu partido, o Republicanos, opte pela neutralidade.
Relações políticas e bastidores
Daniella Marques reconhece a importância do diálogo entre as lideranças políticas para avançar na agenda econômica e destaca ter uma relação respeitosa com figuras como Rogério Marinho, apesar de divergências passadas no governo Bolsonaro. Sobre a crise interna entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, diz que, para o Brasil, a página está virada, pois o objetivo maior é retirar o país das mãos do PT.
Com essa entrevista, Daniella Marques mostra que a campanha de Flávio Bolsonaro pretende assumir um discurso fiscal rigoroso, crítico ao atual governo, com foco em governança compartilhada, corte de privilégios e modernização do Estado, mesmo que sem repetir integralmente as fórmulas do ex-ministro Paulo Guedes.








