Em dois dias, ministro do STF autoriza inquéritos contra filho do presidente e trava embate com a Polícia Federal

Ministro do STF André Mendonça amplia cerco sobre Lulinha ao autorizar investigação da PF por suposto tráfico de influência e corrupção. Defesa acusa 'pesca probatória'.
Em um movimento que revela a crescente pressão do Supremo Tribunal Federal sobre o círculo próximo ao presidente Lula, o ministro André Mendonça ampliou em dois dias o cerco a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Mendonça autorizou a Polícia Federal a instaurar inquéritos para apurar supostos crimes de tráfico de influência e corrupção.
A primeira investigação, autorizada na última quinta-feira (30), atende a pedido da própria PF e busca esclarecer se Lulinha atuou como intermediário em negociações junto ao Ministério da Saúde envolvendo a comercialização de cannabis medicinal. Esse inquérito tem relação com os desvios bilionários do INSS, apurados na Operação Sem Desconto, onde o filho do presidente aparece ligado a um lobista conhecido como “Careca do INSS”.
Para a defesa de Lulinha, a PF conduz uma “fishing expedition” — investigações genéricas e sem provas claras —, sem evidências contra o investigado, segundo o advogado Marco Aurélio.
No dia seguinte, Mendonça autorizou nova apuração sobre possível tráfico de influência junto à Dataprev, empresa estatal de tecnologia. A PF quer apurar se Lulinha, em conluio com empresários e a amiga Roberta Luchsinger, buscou favorecer contratos com a Dataprev, inclusive recebendo apoio financeiro para viagens.
Esse cenário acontece em meio a um embate institucional entre Mendonça e a Polícia Federal. A corporação procurou a Advocacia-Geral da União para contestar as determinações do ministro, que exige o repasse imediato de todos os atos da investigação e a comunicação prévia sobre afastamentos de policiais da equipe.
Cerco estratégico e atrito crescente
A postura de Mendonça evidência uma escalada de controle do STF sobre investigações sensíveis ligadas à família do presidente. O episódio expõe contradições internas na PF, que se vê pressionada a acatar ordens restritivas enquanto tenta avançar nas apurações. A reação da defesa de Lulinha reforça o clima de tensão e suspeita de perseguição política, aumentando a polarização institucional.
Consequências políticas e jurídicas
As investigações aprofundam a crise no entorno do governo Lula, trazendo à tona relações nebulosas entre familiares do presidente, empresários e órgãos públicos. O embate entre Mendonça e a PF pode comprometer a autonomia das investigações e impactar a confiança nas instituições encarregadas de fiscalizar o poder. O desdobramento do caso será decisivo para o equilíbrio entre a Justiça e a política no país.








