Reação tensa do mercado diante do conflito EUA-Irã fortalece dólar; real avança no mês com apoio do petróleo e juros altos

Apesar da valorização do dólar nesta sexta, a moeda americana acumulou queda de 1,82% em julho, beneficiada pela alta do petróleo e fluxo de investimento estrangeiro no Brasil, que mantém os juros elevados.
O dólar encerrou o mês de julho vendido a R$ 5,069 na sexta-feira (31), com alta diária discreta de 0,13%, mas acumulando queda robusta de 1,82% no mês. O movimento de alta pontual refletiu o aumento da aversão ao risco dos investidores diante da escalada das tensões no Oriente Médio, especialmente entre Estados Unidos e Irã, que empurraram a moeda americana para cima no mercado internacional.
Apesar do fortalecimento momentâneo do dólar, o real teve um desempenho surpreendente em julho. A valorização do petróleo, que subiu mais de 20% no mês devido ao conflito e à possibilidade de restrições no transporte da commodity, beneficiou o Brasil como exportador. Além disso, o fluxo de investimentos estrangeiros e os juros elevados do país continuaram atraindo capital, sustentando a moeda nacional e derrubando a cotação do dólar no período.
No mercado acionário, o principal índice brasileiro, o Ibovespa, terminou o mês com alta de 3,47%, revertendo quatro meses consecutivos de perdas. O índice fechou a sexta-feira em 177.999 pontos, seu melhor patamar desde maio, mesmo com um atraso operacional de mais de duas horas na abertura das negociações na B3, que não impactou significativamente os ativos.
O petróleo Brent e o WTI fecharam julho com as maiores valorizações mensais desde março, a US$ 87,93 e US$ 84,67, respectivamente, após autoridades iranianas anunciarem novos ataques e interceptações de navios-tanque no Estreito de Ormuz, elevando o risco geopolítico e o temor de restrições de oferta global.
O conflito no Oriente Médio e o discurso firme dos EUA alimentam a busca por ativos considerados seguros, como o dólar e títulos do Tesouro americano, cujos rendimentos subiram após dirigentes do Federal Reserve defenderem nova elevação dos juros. No entanto, o real resistiu à pressão externa graças aos fundamentos internos, como o preço do petróleo e o apetite dos investidores pelo carry trade.
O cenário global permanece tenso, mas o mercado brasileiro surpreende com resiliência, refletindo um jogo complexo entre riscos internacionais e fundamentos econômicos locais.








