Inauguração da ferrovia é adiada por pendências com o Ibama

Primeira viagem na Transnordestina é suspensa por falta de licenciamento.
Nesta sexta-feira (24), seria um dia marcante para a infraestrutura de transportes no Brasil. Mas a primeira viagem pela ferrovia Transnordestina foi suspensa por falta de documentação. A Transnordestina, projetada para ligar o interior do Nordeste ao litoral do Ceará e de Pernambuco, enfrenta mais um capítulo de atrasos e complicações.
Atrasos e complicações no licenciamento
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional anunciou no início de outubro a data da primeira viagem, que sairia de Bela Vista do Piauí até Iguatu, no Ceará. Entretanto, nesta quinta-feira (23), a Transnordestina Logística informou que a viagem foi adiada devido à falta de licença de operação do Ibama. O órgão ambiental esclareceu que a licença não foi liberada por pendências técnicas e documentais.
Pendências documentais
Entre as exigências não atendidas estão um programa de gerenciamento de riscos e uma manifestação favorável do Incra, já que a ferrovia atravessa terras quilombolas. Este atraso é mais um reflexo das dificuldades enfrentadas pela Transnordestina, cuja obra, inicialmente orçada em R$ 4,5 bilhões, já ultrapassou os R$ 15 bilhões e deve ser concluída apenas em 2029.
A história da Transnordestina
Desde o seu lançamento em 2006, a Transnordestina passou por diversas mudanças em seu traçado e cronograma. O custo aumentou significativamente e o projeto foi reduzido de mais de 1,7 mil km para 1,2 mil km. A obra também enfrentou problemas de licitação, contratos e financiamento, resultando em longos períodos de paralisação. O TCU já suspendeu o repasse de verbas federais em duas ocasiões, evidenciando a fragilidade do projeto.
Conclusão
Com a primeira viagem suspensa, o futuro da Transnordestina permanece incerto. A espera por licenças e a necessidade de atender às exigências ambientais continuam a adiar o que deveria ser um marco na logística do Nordeste.










