Programa Desenrola se expande e oferece crédito barato a informais, formais e Fies adimplentes

Desenrola amplia foco e agora concede crédito subsidiado a bons pagadores, pressionando inadimplentes e estimulando empreendedorismo com uso do FGTS como garantia.
O programa Desenrola, criado inicialmente para renegociar dívidas e recuperar famílias inadimplentes, passou a premiar quem mantém as contas em dia. O governo federal lançou nesta segunda-feira (29) três modalidades de crédito para trabalhadores informais adimplentes, trabalhadores formais com carteira assinada e estudantes adimplentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Crédito barato para bons pagadores
O Desenrola Adimplentes oferece aos informais que honram suas obrigações financeiras uma troca de dívidas com juros exorbitantes, que podem chegar a 12% ao mês, por uma nova linha de crédito com taxa limitada a 1,99% ao mês para operações de até R$ 15 mil. Para trabalhadores formais, o programa libera crédito consignado privado com garantia do saldo do FGTS, também com juros limitados a 1,99% ao mês, já disponível na Caixa Econômica e em breve no Banco do Brasil.
Fies Empreendedor mira pequeno empresário adimplente
Estudantes e egressos do Fies que mantêm seus pagamentos em dia ganham uma linha especial de crédito para empreendedorismo, com financiamento de até R$ 80 mil para pessoa física e R$ 180 mil para pessoa jurídica, a taxa mais baixa do mercado. A medida vem junto com o desconto de 12% nas parcelas para quem continua adimplente.
Pressão e incentivo com contrapartida
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirma que o programa busca justiça social e tributária, promovendo economia organizada e forte. A novidade é que as novas linhas de crédito exigem a autoproibição do acesso a plataformas de apostas esportivas online, as ‘bets’, como contrapartida para evitar o endividamento irresponsável.
Impacto político e econômico
Lançado em 2023, o Desenrola já atendeu 7,5 milhões de famílias, mas seu reposicionamento evidencia um recuo do governo em focar só nos inadimplentes, ampliando o leque para premiar a disciplina financeira e estimular o empreendedorismo formal. A medida pode representar uma pressão indireta sobre os maus pagadores, ao privilegiar os bons, e demonstra uma tentativa de retomar o controle do crédito em um cenário de juros elevados e inflação persistente.
O programa mostra o governo tentando equilibrar estímulos econômicos com políticas sociais, mas colocando no centro a responsabilidade individual e o uso estratégico de garantias como o FGTS, numa tentativa clara de conter riscos financeiros e dar fôlego a quem se mantém no azul.










