Decisões conflitantes na Corte geram preocupação sobre impacto político em pleito presidencial

Conflitos internos no STF voltam a ganhar destaque dias antes do primeiro turno, com decisões divergentes e impacto potencial sobre a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Decisões conflitantes reacendem crise no STF
A menos de uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a enfrentar uma crise interna visível após decisões divergentes de ministros sobre a retirada de publicações envolvendo o deputado Flávio Bolsonaro e temas religiosos. O episódio gerou embates entre ministros e preocupação institucional, inclusive manifestada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que pediu ao STF medidas para evitar interferência na Justiça Eleitoral.
Impacto eleitoral e percepção dos eleitores
Pesquisas indicam que a crise no STF é percebida como mais prejudicial à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que à de Flávio Bolsonaro. Conforme levantamento Datafolha de 15 a 17 de setembro, 38% dos eleitores apontaram Lula como prejudicado, contra 31% que citaram Bolsonaro. Entre eleitores de Bolsonaro, 39% consideram Lula o mais afetado. A instabilidade na Corte pode influenciar eleitores indecisos, já que 47% declararam que a crise teria alguma influência na escolha do voto presidencial.
Análise dos especialistas
Especialistas concordam que a associação do presidente Lula ao STF pode gerar desgaste político, ainda que as decisões da Corte não tenham impacto direto na campanha. Para Leandro Gabiati, da Dominium, Lula, na condição de presidente, absorve o ônus das crises institucionais. Murilo Hidalgo, do Paraná Pesquisas, destaca que a instabilidade beneficia candidaturas oposicionistas e Flávio Bolsonaro, reforçando a percepção de proximidade do STF a Lula. Adriano Cerqueira, do Ibmec, aponta que os Bolsonaros são vistos como vítimas políticas do Supremo, enquanto decisões recentes, como a liminar de Gilmar Mendes sobre o reajuste do Bolsa Família, são associadas ao apoio da Corte ao governo.
Mudança de foco na campanha
Apesar do desgaste, analistas observam que Lula vem recuperando a iniciativa política ao deslocar o debate para temas sociais e econômicos de impacto direto, como o reajuste do Bolsa Família e medidas contra jogos de aposta ilegais. Essa mudança de agenda tem reduzido o espaço para a crise do STF nas discussões eleitorais, segundo Alexandre Manoel, da Global Analytics. O cenário eleitoral permanece competitivo, com diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro projetada em menos de 1 milhão de votos, conforme avaliação de Gabiati.
Perspectivas para o segundo turno
A expectativa é de um segundo turno mais acirrado, no qual parte dos votos da direita pode migrar para Bolsonaro. A margem estreita torna a influência de fatores como a instabilidade institucional e a abstenção decisivos para o resultado final. O desenrolar da crise no STF e sua interferência no processo eleitoral continuam sendo monitorados por especialistas e autoridades até o pleito.
Fonte: gazetadopovo.com.br









