Sergio Moro lidera com folga corrida ao governo do Paraná em 2026, mostra pesquisa

Pesquisa mostra cenário difícil para grupo liderado pelo atual governador Ratinho Junior O senador Sergio Moro (União Brasil) largou na frente na disputa pelo governo do Paraná em 2026. É o que mostra uma pesquisa do instituto Paraná Pesquisas divulgada nesta segunda-feira (26), indicando que o ex-juiz da Lava Jato tem hoje uma vantagem expressiva sobre os possíveis adversários. De acordo com o levantamento, Moro aparece com 43,9% das intenções de voto no cenário estimulado. Em segundo lugar, bem atrás, vem Requião Filho (PDT), com 18,1%, praticamente empatado com o ex-governador Beto Richa (PSDB), que tem 17,9%. Os outros possíveis nomes — como o deputado federal Zeca Dirceu (PT), o deputado estadual Delegado Francischini (PL) e o presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano (PSD) — somam menos de 10% cada. A pesquisa confirma o favoritismo que Moro já demonstrava em sondagens anteriores. Em fevereiro deste ano, por exemplo, ele aparecia com 49% das intenções de voto em um cenário contra Rafael Greca (PSD), então cotado como pré-candidato do grupo político do atual governador Ratinho Junior (PSD). Greca, na época, somava 26%. O cenário atual indica que o senador pode herdar parte do capital político de Ratinho Junior, cuja gestão no Paraná tem uma aprovação de 82,7% entre os entrevistados, segundo a mesma sondagem. A boa avaliação do governador, no entanto, não foi suficiente para alavancar seus aliados — o que pode indicar que Moro atrai votos tanto do eleitorado conservador quanto do antipetismo mais moderado. Leia mais: Desaprovação ao governo Lula chega a 54%, segundo Ipespe Caso confirme a candidatura, Moro poderá disputar a sucessão de Ratinho com chances reais de vitória já no primeiro turno. Os números indicam não apenas um recall alto do ex-ministro da Justiça, mas também um nível de rejeição menor que o dos seus principais adversários — o que, neste momento, faz dele o nome a ser batido na eleição paranaense de 2026. Veja os números: Cenário 1 Sergio Moro (União): 43,9% Requião Filho (PDT): 18,1% Beto Richa (PSDB): 17,9% Guto Silva (PSD): 3,9% Enio Verri (PT): 2,6% Nenhum/Branco/Nulo: 8,3% Não sabe/Não respondeu: 5,3% Cenário 2 Beto Richa (PSDB): 22,6% Requião Filho (PDT): 20,8% Alexandre Curi (PSD): 18,3% Guto Silva (PSD): 5,5% Enio Verri (PT): 3,2% Nenhum/Branco/Nulo: 21,7% Não sabe/Não respondeu: 7,9% Cenário 3 Sergio Moro (União): 42,4% Beto Richa (PSDB): 16,8% Requião Filho (PDT): 16,5% Alexandre Curi (PSD): 9,0% Enio Verri (PT): 2,6% Nenhum/Branco/Nulo: 8,1% Não sabe/Não respondeu: 4,6% Cenário 4 Sergio Moro (União): 39,5% Rafael Greca (PSD): 17,4% Requião Filho (PDT): 14,8% Beto Richa (PSDB): 14,6% Enio Verri (PT): 2,3% Nenhum/Branco/Nulo: 7,3% Não sabe/Não respondeu: 4,0% Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Justiça Eleitoral rejeita ação contra Eduardo Pimentel por abuso de poder político em Curitiba

Ação foi movida pela então adversária Cristina Graeml; cabe recurso ao TRE-PR A Justiça Eleitoral julgou improcedente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que acusava o atual prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), e outros integrantes da administração municipal de terem praticado abuso de poder político durante a campanha eleitoral de 2024. O Politiza teve acesso à íntegra do documento que foi publicado nesta quinta-feira (22). Também eram alvos da decisão, assinada pelo juiz Fernando Augusto Fabrício de Melo, da 175ª Zona Eleitoral da capital, além de Pimentel, o ex-prefeito Rafael Greca (PSD), o vice-prefeito Paulo Eduardo Martins (PL) e o ex-superintendente de Tecnologia da Informação da Prefeitura, Antônio Carlos Pires Rebello. A denúncia foi apresentada pela então candidata adversária, Cristina Graeml (Podemos), que alegava que servidores municipais teriam sido coagidos a comprar convites de R$ 3 mil para um jantar de arrecadação do PSD, realizado no restaurante Madalosso em setembro de 2024, sob ameaça de perder cargos comissionados ou gratificações. Segundo a acusação, as ameaças teriam sido feitas por Rebello em uma reunião com servidores e vieram à tona após a divulgação de áudios publicados pelo portal Metrópoles dias antes do primeiro turno das eleições. A denúncia ainda apontava que os investigados orientaram os servidores a realizar doações em nome de terceiros para disfarçar as contribuições. Áudios considerados ilícitos Apesar da gravidade dos fatos narrados, o juiz entendeu que a principal prova apresentada – os áudios gravados na suposta reunião – era ilícita. “Tais áudios, pelo que se observa, foram obtidos de forma clandestina, sem anuência ou conhecimento dos interlocutores, sem prévia autorização judicial, e em ambiente com acesso restrito”, diz o magistrado. Leia mais: Moro quer criar o crime de “narcocídio” e tirar assassinatos ligados ao tráfico do Tribunal do Júri A decisão segue a jurisprudência firmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que veda o uso de gravações ambientais feitas sem autorização judicial e sem consentimento dos envolvidos, quando realizadas em localidades privadas. Além disso, o juiz determinou o desentranhamento dos áudios dos autos e também de todas as provas derivadas – como os documentos enviados pelo Ministério Público do Trabalho e pela Prefeitura de Curitiba – aplicando a chamada “teoria dos frutos da árvore envenenada”, que é a compreensão jurídica de que todas as provas obtidas a partir de uma prova ilícita, também são ilícitas. Faltaram provas robustas Sem os áudios e com as demais provas comprometidas, a Justiça entendeu que não havia elementos suficientes para comprovar que houve, de fato, coação sistemática ou que os investigados se beneficiaram diretamente das supostas irregularidades. O Ministério Público Eleitoral chegou a defender a condenação dos envolvidos, argumentando que havia outros indícios robustos, como o padrão das doações em valores idênticos (R$ 3 mil), a exoneração rápida de Rebello e a repercussão na mídia. Mas, para o juiz, tais indícios “não se sustentam de forma autônoma” e não são suficientes para justificar uma condenação tão grave quanto a cassação de mandato e a declaração de inelegibilidade por oito anos. “Para a configuração do abuso dos poderes político e econômico, a firme jurisprudência desta Corte Superior entende que há a necessidade da existência de prova contundente, inviabilizada qualquer pretensão com respaldo em conjecturas a presunções”, escreveu o magistrado citando o ministro André Mendonça. Decisão põe fim ao processo contra Pimentel Com a sentença, Eduardo Pimentel segue no cargo sem qualquer sanção eleitoral, e o processo será arquivado. A decisão também reforça o entendimento recente da Justiça Eleitoral sobre os limites do uso de gravações clandestinas como prova em ações dessa natureza. Apesar do pedido de arquivamento, cabe recurso ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), mas até o momento não houve manifestação da jornalista Cristina Graeml ou do Ministério Público Eleitoral sobre a decisão Procurado para comentar o arquivamento da ação, o prefeito Eduardo Pimentel ressaltou que já desceu do palanque eleitoral e que agora trabalha pela cidade. “Disputei e venci os dois turnos da eleição para prefeito. Fiz uma campanha limpa e debatendo a cidade de Curitiba. A decisão da Justiça atesta a lisura do processo eleitoral e garante que a vontade do eleitor seja respeitada. O período eleitoral acabou em outubro do ano passado. Eu desci do palanque faz tempo e meu foco agora é trabalhar pela cidade como venho fazendo desde o primeiro dia de gestão.” Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Parlamento Universitário da ALEP simula Legislativo e forma nova geração de líderes no Paraná

Edição 2025 de uma das atividades mais importantes do legislativo paranaense ocorre em julho Durante uma semana em julho, o plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) troca os deputados titulares por universitários de todo o Estado. É o Parlamento Universitário, programa que transforma a rotina do Legislativo estadual em uma grande experiência de formação política para jovens estudantes — e que está com inscrições abertas até o dia 2 de junho para a edição de 2025. Criado pela Escola do Legislativo da ALEP, o projeto já chegou à 5ª edição e se consolidou como uma das principais iniciativas de educação política no Paraná. A proposta é simples, mas poderosa: dar a estudantes de graduação a chance de viver, na prática, o funcionamento do Parlamento. Os universitários assumem o papel de deputados estaduais, com direito a posse simbólica, formação de bancadas, comissões temáticas, eleição da Mesa Diretora e até sessões em plenário para debater e votar projetos de lei fictícios. Segundo a coordenação da Escola do Legislativo, a ideia é proporcionar uma imersão realista no processo legislativo, mas também provocar reflexões sobre política pública, representatividade e ética. Ao longo de dois turnos de atividades presenciais, previstos para acontecer entre 17 e 25 de julho em 2025, os estudantes simulam articulações políticas, fazem discursos na tribuna e propõem medidas que, em muitos casos, refletem problemas e demandas concretas da sociedade. Disputa, articulação e aprendizado A seleção dos participantes é feita diretamente pelas universidades públicas e privadas que aderem ao programa. Cada instituição indica seus representantes, que são organizados em bancadas conforme áreas temáticas e alinhamentos ideológicos simulados. Os cursos mais representados costumam ser Direito, Administração Pública, Relações Internacionais, Jornalismo e Ciências Sociais, mas a diversidade é uma marca registrada da iniciativa. Leia mais: Moro quer criar o crime de “narcocídio” e tirar assassinatos ligados ao tráfico do Tribunal do Júri Não falta embate. Em edições anteriores, temas como legalização da cannabis medicinal, políticas de combate à fome e programas de incentivo à educação técnica pautaram os debates acalorados no plenário, com direito a votação nominal, pedidos de destaque e questões de ordem — tudo como em uma sessão legislativa de verdade. Além da prática política, o programa também é uma escola de habilidades. Os participantes relatam avanços em oratória, capacidade de negociação, liderança, pensamento crítico e trabalho em equipe. Para alguns, a experiência serve como porta de entrada para o mundo institucional. Há ex-integrantes que hoje trabalham no serviço público, em assessorias parlamentares ou até se preparam para disputar eleições. Para saber mais sobre o Parlamento Universitário, clique aqui. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Ex-prefeito de Guaratuba é processado por manter supersalários e causar prejuízo de R$ 6,6 milhões ao município

Roberto Justus diz que houve um equívoco de interpretação por parte do Ministério Público O Ministério Público do Paraná (MPPR) entrou com uma ação de improbidade administrativa contra o ex-prefeito de Guaratuba, município do Litoral do estado, com cerca de 35 mil habitantes, acusado de causar um rombo de R$ 6,6 milhões nos cofres públicos ao manter pagamentos irregulares de salários a servidores. Segundo a denúncia, Roberto Justus (União Brasil) teria continuado a autorizar, de forma deliberada, salários acima do teto constitucional mesmo após decisões expressas do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) proibindo a prática. O MP quer que o ex-prefeito devolva todo o valor aos cofres públicos, com correção, e seja punido com suspensão dos direitos políticos, proibição de contratar com o poder público e outras sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa. Salários acima do teto, mesmo após ordens judiciais A irregularidade começou a ser investigada em 2022, após a aprovação de uma Lei Municipal que reajustou os salários do prefeito, vice-prefeito e secretários municipais — todos da mesma legislatura. A medida, segundo o Ministério Público, violou a Constituição ao não respeitar o princípio da anterioridade, que proíbe reajustes salariais para agentes políticos dentro do mesmo mandato. Naquele ano, o Tribunal de Justiça determinou a suspensão imediata dos efeitos da lei e estabeleceu o teto municipal de R$ 21.600 para os salários. O Tribunal de Contas também reforçou a determinação, alertando o prefeito de que poderia ser responsabilizado pessoalmente se mantivesse os pagamentos acima do limite. Apesar disso, os pagamentos continuaram. Um relatório técnico do próprio Ministério Público revelou que 19 servidores receberam salários que ultrapassaram o teto por mais de dois anos. Em alguns casos, os valores pagos a mais chegaram a ultrapassar meio milhão de reais por servidor. Leia mais: Câmara de Maringá arquiva pedido de cassação de Cris Lauer, mas caso vai parar na Justiça Dois procuradores municipais — Marcelo Bom dos Santos e Denise Lopes Gouveia —, por exemplo, receberam juntos quase R$ 503 mil acima do teto estabelecido. Segundo entendimento já pacificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os procuradores municipais têm como limite de salário o mesmo teto de desembargadores do Tribunal de Justiça, desde que haja compatibilidade nas funções exercidas. Dano ao erário e improbidade O MP afirma que os pagamentos indevidos causaram um prejuízo direto ao erário de R$ 6.669.981,94 entre agosto de 2022 e dezembro de 2024. A promotoria destaca que o ex-prefeito não apenas ignorou determinações legais, mas agiu com dolo — ou seja, com intenção e consciência de que estava violando a lei. Para o promotor Harthyan Bruno Schuck de Medeiros, responsável pela ação, a conduta de Justus representa um ato grave de improbidade administrativa: “Mesmo ciente das decisões judiciais e administrativas, o requerido persistiu nos pagamentos indevidos, causando prejuízo expressivo ao erário”, escreveu o promotor. Além da devolução integral do dinheiro, o MP pede a suspensão dos direitos políticos de Justus, inscrição no cadastro nacional de condenações por improbidade e pagamento de multa. Próximos passos O processo agora segue para análise da Vara da Fazenda Pública de Guaratuba, que decidirá se aceita a denúncia e se o ex-prefeito será citado oficialmente para apresentar defesa. Na sequência, caso condenado, o ex-prefeito pode recorrer à instâncias superiores. Defesa Procurado pelo Politiza para comentar as acusações por parte do Ministério Público, o ex-prefeito Roberto Justus ressaltou que não teve acesso ao processo, mas que, segundo o que detalham para ele, a ação foi motivada por ter pago salários para os médicos da saída acima do valor recebido pelo próprio prefeito. “Os médicos receberam esse salário. Esse dinheiro jamais ficou comigo. Eles prestaram serviço de saúde pública de qualidade para os moradores de Guaratuba. Tanto que nenhum médico está sendo processado. Resumindo, o MP entende que eu causei um prejuízo ao municipio quando eu paguei os salários dos médicos. Em minha defesa, eu posso dizer que o salário do prefeito ainda está em discussão porque depois da pandemia nós fizemos a recomposição monetária do valor, como muitos outros prefeitos, inclusive em Curitiba, Paranaguá e tantas outras cidades fizeram. Isso foi questionado na época e está sendo discutido em uma ação de repercussão geral no STF. O Ministério Público não pode dizer que o valor do salário do médico extrapola o valor do salário do prefeito enquanto ele não souber qual é o valor do salário do prefeito”, explicou o ex-prefeito. Justus também rebateu a acusação de que teria agido de forma dolosa, porque, segundo ele, não conhecia os termos da liminar citada pelo Ministério Público. “O MP alega que eu teria dolosamente descumprido uma liminar. Eu não tenho conhecimento do alcance da liminar, do momento que ela deveria ser cumprida. Se tivesse que cumprir, o procurador-geral do município teria me alertado e eu teria cumprido. Se ele entendeu que não tinha que cumprir e nem me orientou a respeito disso, eu não posso ser acusado agora de descumprimento doloso. Então, estou bastante tranquilo e seguro com relação a essa ação e sei que não vai causar nenhum tipo de condenação. Sigo muito focado em defender o legado que deixei para a nossa cidade e cuidar dos interesses mais importantes da população do Litoral do Paraná e do Estado”, diz. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Moro quer criar o crime de “narcocídio” e tirar assassinatos ligados ao tráfico do Tribunal do Júri

Proposta foi aprovada na CCJ do Senado e segue direto para a Câmara dos Deputados O senador paranaense Sergio Moro (União Brasil) quer endurecer a legislação penal contra crimes cometidos por organizações ligadas ao tráfico de drogas. Em uma projeto relatado por ele, Moro propôs a criação de um novo tipo penal: o “narcocídio” para punir com mais rigor assassinatos relacionados direta ou indiretamente ao tráfico. A proposta foi aprovada nesta quarta-feira (21) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal e agora segue para análise da Câmara dos Deputados. O texto estabelece pena de 20 a 30 anos de prisão para quem praticar homicídio vinculado ao tráfico de drogas. A principal inovação, porém, está no modelo de julgamento. Assim como ocorre com o latrocínio (roubo seguido de morte), os acusados de narcocídio não serão mais levados a julgamento pelo Tribunal do Júri — formado por cidadãos comuns — mas sim por um juiz de primeira instância. A mudança busca proteger os jurados em regiões dominadas por facções e milícias, onde a intimidação e o medo muitas vezes comprometem o andamento dos processos. A medida altera a Lei de Drogas e insere uma série de dispositivos voltados ao combate direto à violência provocada pelo narcotráfico. Segundo Moro, o Brasil vive um cenário de aumento na letalidade e na sofisticação das ações criminosas, e o ordenamento jurídico precisa ser atualizado para enfrentar esse novo tipo de ameaça. Leia mais: CCJ do Senado aprova PEC que acaba com reeleição e unifica eleições a partir de 2034 O projeto é de autoria do senador Jayme Campos (União Brasil-MT), mas ganhou peso político com o relatório apresentado por Moro, ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça. Com trânsito entre as bancadas da segurança pública, Moro tem buscado construir pontes com o Congresso para avançar em projetos que reforcem a repressão ao crime organizado. Apesar de ter sido aprovado com apoio da maioria na CCJ, o projeto ainda pode gerar debates na Câmara, sobretudo por mexer nas competências do Tribunal do Júri, que é uma cláusula historicamente sensível no sistema de Justiça brasileiro. Se aprovado na Câmara, o novo tipo penal entrará em vigor assim que sancionado, consolidando uma mudança significativa no tratamento jurídico de crimes violentos ligados ao tráfico no país. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Ex-comandante da Aeronáutica revela articulações golpistas com aval de Bolsonaro

Carlos Almeida Baptista Júnior prestou depoimento no inquérito que investiga suposta tentativa de golpe em 2022 O depoimento do ex-comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Almeida Baptista Júnior, ao Supremo Tribunal Federal (STF) escancarou os bastidores de reuniões e pressões que marcaram os dias seguintes à eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022. Segundo o militar, Jair Bolsonaro (PL) participou diretamente das tratativas para tentar impedir a posse do presidente eleito, com apoio parcial das Forças Armadas — em especial da Marinha. De acordo com o relato, a tentativa de ruptura institucional não foi apenas teoria conspiratória: ela esteve em fase avançada de articulação, com minuta de decreto na mesa, sugestão de prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal e discussões frequentes sobre a aplicação de instrumentos jurídicos como o estado de defesa e o uso das Forças Armadas por meio da GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Minuta do golpe O ponto de inflexão, segundo Baptista Júnior, ocorreu quando o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, apresentou uma minuta de decreto golpista. O documento previa impedir a posse de Lula e chegou a mencionar a prisão de opositores políticos do STF., Ao ser questionado diretamente se o texto propunha barrar a posse, Nogueira afirmou que ‘sim”. Diante da gravidade do conteúdo, o brigadeiro recusou-se a receber o documento e avisou que a Aeronáutica não participaria de qualquer tentativa de ruptura institucional. Bolsonaro no centro das articulações O ex-comandante afirmou ao STF que Bolsonaro não apenas tinha conhecimento dos planos como também participou de reuniões para discutir os caminhos possíveis. Esses encontros ocorreram no Palácio da Alvorada, logo após o segundo turno, com a presença de militares de alta patente. Entre os temas discutidos estavam a decretação de estado de defesa, o uso da GLO e até a não diplomação do presidente eleito. Leia mais: Renato Freitas chama governador Ratinho Junior de assassino e corrupto Marinha à disposição Um dos trechos mais sensíveis do depoimento envolve o comportamento do comandante da Marinha à época, almirante Almir Garnier Santos. Segundo Baptista Júnior, Garnier colocou as tropas navais à disposição de Bolsonaro durante discussões sobre planos para impedir a posse de Lula. A posição da Marinha contrastou com a do Exército e da Aeronáutica, que rejeitaram a proposta. Tentativa de golpe fracassou por falta de consenso Segundo Baptista Júnior, os planos golpistas não avançaram porque não houve apoio integral entre os comandantes militares. Faltou uma adesão “unânime” das Forças Armadas para que qualquer medida extrema fosse colocada em prática. Bolsonaro foi alertado sobre ausência de fraudes nas urnas Questionado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, o ex-comandante afirmou que Bolsonaro foi informado de que não havia qualquer indício de fraude no sistema eleitoral. Segundo ele, essa informação chegou ao presidente por meio do próprio ministro da Defesa: “Sim, Bolsonaro foi informado disso por meio do ministro da Defesa. Além de reuniões que eu falei, o ministro da Defesa que despachava sobre esse assunto.” Tentativa de Prisão de Alexandre de Moraes Baptista Júnior confirmou que, durante as discussões sobre medidas para impedir a posse de Lula, foi apresentada uma minuta de decreto que previa a prisão de opositores políticos e do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. O plano foi discutido em reuniões com a presença de Jair Bolsonaro e outros membros do alto escalão militar. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Câmara de Maringá arquiva pedido de cassação de Cris Lauer, mas caso vai parar na Justiça

Vereadora é acusada de usar a estrutura do gabinete para questões pessoais A vereadora Cris Lauer (Novo), de Maringá, voltou ao centro das atenções políticas após ser alvo de um pedido de cassação de mandato por quebra de decoro parlamentar. A denúncia foi protocolada no dia 6 de maio pelo advogado Kim Rafael Antunes, que fundamentou o pedido em uma condenação por improbidade administrativa já imposta à parlamentar pela Justiça do Paraná. Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), Lauer teria usado a estrutura do seu gabinete para fins pessoais: um ex-chefe de gabinete da vereadora atuou na defesa de processos particulares, o que, para o MP, configuraria enriquecimento ilícito. A sentença, proferida pela 1ª Vara da Fazenda Pública de Maringá, determinou o ressarcimento dos valores e aplicou outras sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa. Com base nisso, Kim Antunes solicitou à Câmara Municipal a abertura de um processo por infração político-administrativa, previsto no artigo 7º, da lei que trata da perda de mandato por condutas incompatíveis com a função pública. Câmara arquiva denúncia O caso, porém, teve desfecho político mais ameno — pelo menos por enquanto. Após analisar a denúncia, a Procuradoria Jurídica da Câmara emitiu um parecer recomendando o arquivamento do pedido de cassação. O argumento central foi de que não havia elementos suficientes para configurar quebra de decoro parlamentar nos moldes do Código de Ética da Casa. Leia mais: Vereador de Guaratuba é acusado de xingar mãe durante velório do próprio filho A Mesa Diretora seguiu o parecer e arquivou o processo na quarta-feira (14). A decisão revoltou o denunciante, que acusou a Câmara de limitar a análise ao regimento interno, ignorando que a infração apontada era de natureza político-administrativa e respaldada por legislação federal. Caso vai parar na Justiça Um dia após o arquivamento, Kim Rafael Antunes entrou com um mandado de segurança na 1ª Vara da Fazenda Pública de Maringá pedindo a reversão da decisão da Câmara. Segundo ele, o parecer jurídico que embasou o arquivamento foi “limitado e equivocado”, pois ignorou a condenação já imposta pela Justiça e desconsiderou a gravidade dos fatos narrados na denúncia. No mandado, o advogado pede que a Justiça obrigue a Câmara a prestar esclarecimentos sobre o arquivamento e que conceda uma liminar suspendendo os efeitos da decisão, o que poderia reabrir o processo de cassação contra a vereadora. Até o momento, a Justiça ainda não analisou o pedido de liminar, e nem a Câmara Municipal nem o gabinete de Cris Lauer se pronunciaram oficialmente sobre o recurso judicial. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Lula é vaiado em evento com prefeitos, mas decide manter tom “pacífico” do discurso

Evento foi organizado pela Confederação Nacional dos Municípios O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi vaiado nesta terça-feira (20) durante sua participação na abertura da 26ª Marcha dos Prefeitos, organizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em Brasília. O evento, que reúne anualmente milhares de prefeitos de todo o país, é considerado uma das maiores mobilizações políticas do calendário institucional brasileiro. As vaias começaram ainda na entrada de Lula ao auditório, se repetiram no início da sua fala e voltaram a ecoar ao final do discurso. Mesmo assim, o petista seguiu com sua fala sem responder diretamente às manifestações — que foram intercaladas por aplausos de parte do público. No discurso, Lula adotou um tom conciliador. Reforçou que o governo federal atende a todos os prefeitos, independentemente do partido, e voltou a prometer diálogo com os municípios. “Esse país não funciona se a gente não cuidar de quem mora nas cidades”, disse o presidente. Leia mais: Lula pediu auxílio de Janja para falar sobre Tik Tok com líder Chinês, segundo ministro Lula também fez um aceno político ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, a quem chamou de “o mais bem-sucedido governador da história da Bahia”. A fala vem no momento em que Rui enfrenta desconfiança dentro do próprio governo, especialmente após suspeitas de que ele teria vazado informações sobre bastidores de uma viagem de Janja, a primeira-dama, à China — o que ele nega. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, também discursou. Reclamou da decisão do STF que determinou mais transparência na destinação das emendas parlamentares. Ziulkoski criticou a obrigação de identificar os autores e os objetivos de cada emenda, dizendo que isso “atrapalha o processo político”. A Marcha dos Prefeitos acontece anualmente desde 1998 e serve como vitrine para disputas políticas e espaço de pressão institucional. Em meio a embates entre os Três Poderes, a edição deste ano acontece em clima de tensão pré-eleitoral, com prefeitos pressionando por mais verbas e autonomia para seus municípios. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Renato Freitas chama governador Ratinho Junior de assassino e corrupto

Caso foi encaminhado ao Conselho de Ética da Assembleia Durante uma sessão tensa na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) na última segunda-feira (19), o deputado estadual Renato Freitas (PT) voltou a protagonizar um embate direto com o governo estadual. Em discurso no plenário, ele acusou o governador Ratinho Junior (PSD) de ser “corrupto” e “assassino”, responsabilizando-o diretamente por ações da Polícia Militar que resultaram em mortes em comunidades periféricas. O estopim para as declarações foi uma série de denúncia de supostas execuções cometidas pela polícia. Freitas foi elencando cada caso e mostrando que houve brutalidade nas ações policiais, principalmente em situações que não havia a necessidade de matar jovens. Ao final do relato, o deputado petista relembrou que a Polícia Militar está sob o comando de Ratinho Junior e que por isso ele tinha “sangue nas mãos” e era assassino. Veja a fala de Renato Freitas: O pronunciamento inflamou os ânimos entre os parlamentares. O líder do governo, Hussein Bakri (PSD), pediu a palavra e saiu em defesa de Ratinho Junior, afirmando que o governador “nunca foi preso, nem responde a processo” e ainda acusou Freitas de generalizar a atuação da PM: “Me enoja ver um membro do PT chamar alguém de corrupto. Isso é desrespeitoso com a polícia e com esta Casa”, rebateu Bakri. Leia mais: Ministro da Previdência e Sergio Moro trocam acusações em audiência sobre fraudes no INSS A deputada Flávia Francischini (União Brasil), que presidia a sessão, pediu para que as falas fossem retiradas das notas taquigráficas e decidiu encaminhar o caso ao Conselho de Ética. Na semana passada, o presidente Alexandre Curi (PSD) determinou que a Assembleia endureça o tom contra falas ofensivas em plenário. “Vamos mudar a estrutura do Conselho de Ética e da Corregedoria para que esses processos andem mais rápido”, disse. Histórico polêmico Esta não é a primeira vez que Renato Freitas enfrenta um processo por quebra de decoro. No fim de 2023, ele já havia sido advertido formalmente após chamar o então presidente da Casa, Ademar Traiano (PSD), de corrupto. Com o novo episódio, a Alep se vê mais uma vez diante do dilema entre liberdade de expressão parlamentar e os limites do decoro institucional. Freitas, por sua vez, tem reiterado que suas falas buscam dar visibilidade a violações de direitos e não se calará diante do que considera abusos do Estado. A base governista, no entanto, cobra responsabilidade e provas diante de acusações tão graves. O Conselho de Ética deve analisar o caso nos próximos dias. A expectativa dentro e fora do Legislativo é que o desfecho do processo sinalize o tom que a Casa pretende adotar diante de discursos cada vez mais polarizados. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Deputada paranaense irá comandar comissão de regulamentação sobre inteligência artificial

Luísa Canziani assume os trabalhos do grupo na próxima terça-feira (20) A deputada federal paranaense Luísa Canziani (PSD) vai presidir a comissão especial criada para discutir a regulamentação da Inteligência Artificial. A sessão de instalação está marcada para a próxima terça-feira (20). A comissão foi criada por ato da presidência e destinada a proferir um parecer ao projeto de lei que “dispõe sobre o desenvolvimento, o fomento e o uso ético e responsável da inteligência artificial com base na centralidade da pessoa humana”. O grupo contará com 33 membros titulares e de igual número de suplentes, respeitando a proporcionalidade partidária. “Pretendemos entregar a melhor legislação possível, protegendo os brasileiros e os nossos direitos individuais e coletivos. Mas também não podemos impedir a inovação, temos que oferecer uma legislação que desenvolva a inteligência artificial, que dê condições para que os pequenos e médios empreendedores desenvolvam essa tecnologia e dê condições para que o Brasil figure como um País inovador, criando oportunidades pela inovação”, afirmou a deputada Luísa Canziani. Leia mais: Maria Victoria, Flávia Francischini e Gugu Bueno são homenageados pela PM-PR O relator do projeto também está definido e será o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que trabalhará em conjunto com a paranaense para que a comissão avance na regulamentação. Com base no calendário da comissão, a deputada adianta que pretende realizar audiências públicas setorizadas para entender as demandas e carências de cada setor como indústria, comércio, agronegócio, serviços, por exemplo, além de construir uma legislação que dialogue com as leis vigentes, como a LGPD, o Marco Civil da internet, o Código de Defesa do Consumidor, entre outros. A intenção ainda é buscar experiências internacionais bem sucedidas. “O Brasil não pode continuar de fora do mapa mundial da inovação”, complementa Luísa Canziani. O prazo para conclusão dos trabalhos é de dez sessões, podendo ser prorrogado. O relator do projeto tem metade do prazo para apresentar seu parecer. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!