Conflito no Oriente Médio desafia unidade do bloco ampliado em meio a tensões entre membros-chave

A cúpula dos Brics na Índia enfrenta divisões cruciais causadas pela guerra no Irã, com membros do bloco em lados opostos do conflito, ameaçando a coesão do grupo ampliado.
Crise no Oriente Médio Desafia Coesão dos Brics
A cúpula dos Brics que acontece em Nova Délhi, nos dias 12 e 13 de setembro, expõe as fissuras internas do bloco diante da guerra no Irã, que colocou Teerã e os Emirados Árabes Unidos (EAU) em lados opostos do conflito. Essa divisão evidencia a dificuldade do grupo em manter uma frente unida em meio a interesses divergentes de seus membros, especialmente após a recente expansão do bloco para incluir países com posições geopolíticas conflitantes.
Índia e China no Centro do Tabuleiro
A presença do presidente chinês Xi Jinping, em sua primeira visita à Índia em sete anos, ressalta a tentativa das potências asiáticas de preservar a relevância do grupo e conter os efeitos da divisão causada pelo conflito no Oriente Médio. A Índia, como anfitriã, busca elevar a visibilidade global dos Brics, mesmo com o desafio de conciliar os interesses do Irã e dos EAU, que já suspenderam transações comerciais devido à guerra.
Declaração Conjunta: Uma Tarefa Quase Impossível
O Kremlin já expressou preocupação com o impacto negativo das divergências entre Teerã e Abu Dhabi, dificultando a elaboração de uma declaração conjunta que agrade a todos. Embora a influência prática dessa declaração no cenário geopolítico seja limitada, ela é vista como um termômetro da capacidade do bloco de se unir contra sanções ocidentais e políticas econômicas restritivas.
Expansão do Bloco Traz Novos Riscos
A entrada de países como Irã, EAU, Egito e Etiópia ampliou a representatividade dos Brics, mas também introduziu tensões internas. Especialistas alertam que essa diversidade, apesar de aumentar a relevância do grupo, pode comprometer sua eficácia, pois o bloco opera com base no consenso, e as discordâncias dificilmente serão superadas sem concessões difíceis.
Perspectivas e Bastidores
A cúpula também contará com a presença de líderes da Rússia, África do Sul, Egito, Indonésia e do secretário-geral da ONU, António Guterres. Há expectativa de que encontros bilaterais entre presidentes, incluindo Xi Jinping e Vladimir Putin, possam ocorrer à margem do evento, especialmente considerando a visita iminente de Xi aos Estados Unidos. O contexto geopolítico e econômico global pressiona os Brics a mostrar alguma forma de unidade, mesmo que frágil, diante das adversidades internas.










