STF divulga documento que revela pagamentos milionários e edição do contrato pelo próprio ministro Alexandre de Moraes

STF libera contrato de R$ 131 milhões entre Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes, e Banco Master; documento detalha pagamentos milionários e edição do contrato pelo ministro, em meio à investigação que ganhou repercussão política intensa.
O Supremo Tribunal Federal (STF) expôs nesta quinta-feira (10/9) um contrato de vulto firmado entre Viviane Barci, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o Banco Master, alvo de investigação policial recente. O documento, revelado pelo relator do caso, ministro André Mendonça, detalha uma operação contratual no montante de R$ 131 milhões, com 36 parcelas previstas de R$ 3 milhões líquidos cada, totalizando R$ 80,2 milhões pagos até a liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025.
A divulgação foi determinada pelo presidente do STF, Edson Fachin, que solicitou a retirada do sigilo do caso após intensos embates nos bastidores da corte. O contrato contempla serviços de implantação e manutenção de programa de integridade (compliance), consultoria jurídica estratégica e acompanhamento em procedimentos policiais federais e civis, além de processos administrativos perante órgãos como o Banco Central e Receita Federal.
O ponto que mais chama atenção na investigação é o envolvimento direto do ministro Alexandre de Moraes na edição do contrato. Metadados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que Moraes acessou e modificou o documento em 15 de janeiro de 2024, ato confirmado pelo escritório Barci de Moraes, que justificou a revisão como uma medida preventiva para afastar impedimentos legais à contratação.
Segundo nota oficial do escritório, “não há qualquer previsão de atuação no STF ou impedimento legal, uma vez que o ministro não julgou causas relacionadas ao Banco Master”, o que embasa a formalização do contrato e a prestação dos serviços advocatícios.
A divulgação do contrato ocorre em meio a uma crise institucional envolvendo o STF, Polícia Federal e o próprio ministro Mendonça, que adotou medidas controvertidas na direção da PF, gerando reação interna e suspensão provisória das decisões pelo ministro Flávio Dino, do STJ, e pelo presidente Fachin. O caso Master tornou-se um símbolo do desgaste e das disputas internas entre os poderes, ampliando a pressão por transparência e responsabilização.
Contrato milionário sob os holofotes
O contrato entre a mulher de Moraes e o Banco Master levanta questionamentos sobre a influência do ministro no caso que investiga a instituição e sua liquidação pelo Banco Central. O pagamento consistente e a edição do contrato pelo próprio Moraes ampliam dúvidas sobre a linha tênue entre atuação profissional e interferência judicial.
Repercussão política e jurídica
A liberação do documento pelo STF, atendendo ao pedido de Fachin, acirra os ânimos na corte e no cenário político, evidenciando a necessidade de esclarecer a extensão da relação entre o magistrado e o banco investigado. A movimentação também favorece o debate sobre os limites éticos e legais na atuação de ministros do Supremo e familiares próximos em negócios privados ligados a partes sob investigação.
A divulgação do contrato expõe uma nova frente no embate político-institucional que ronda o Supremo, prometendo desdobramentos que podem afetar a credibilidade da corte e a confiança da população nas instituições brasileiras.
Fonte: metropoles.com









