CVM impõe multa pesada a ex-banqueiro e Banco Master por manipulação de valores em Brazil Realty

Ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Banco Master são multados em R$ 20 milhões e R$ 12,5 milhões, respectivamente, por fraude envolvendo sobreavaliação de imóveis no fundo Brazil Realty.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decretou nesta terça-feira (8) a condenação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pagar multa de R$ 20 milhões por fraudes na composição do fundo imobiliário Brazil Realty. O Banco Master, liquidado pelo Banco Central, também foi punido com multa de R$ 12,5 milhões. Ao todo, 16 pessoas e empresas foram responsabilizadas, com multas que somam R$ 201 milhões.
Fraude e manipulação comprovadas
O caso pivô envolveu a terceira emissão de cotas do Brazil Realty em 2018, na qual foram captados R$ 139,1 milhões, majoritariamente em ativos físicos. A CVM identificou sobreavaliação de imóveis e outros bens, além de operações no mercado secundário que teriam criado liquidez artificial para as cotas.
Prejuízo a investidores e fundos públicos
A autarquia apurou prejuízos de R$ 5,8 milhões para investidores, incluindo fundos previdenciários de servidores, que negociaram ativos inflacionados. Empresas ligadas aos envolvidos, como a Entre Investimentos, realizaram centenas de operações bilionárias no mercado secundário que mascararam os valores reais das cotas.
Defesa e rejeição de acordo
A defesa de Vorcaro contestou a existência de provas concretas de fraude e negou irregularidades. Tentativas de acordo foram rejeitadas pela CVM, que manteve a unanimidade na condenação, sob relatoria do diretor João Accioly.
Outras condenações e impactos
Além de Vorcaro e Banco Master, foram multados familiares e empresas associadas, com punições individuais entre R$ 5 milhões e R$ 24 milhões. Três ex-diretores da Sefer Investimentos foram absolvidos. Os condenados podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional.
Contexto e desdobramentos
O processo administrativo da CVM ocorre paralelamente a investigações criminais da Polícia Federal. A decisão expõe o risco sistêmico e a falta de transparência em grandes operações financeiras, além dos vínculos políticos e institucionais que cercam o caso, que ganhou repercussão nacional devido às figuras envolvidas e à magnitude das irregularidades.
Fonte: bandab.com.br









