Operação mira financiamento do longa sobre Bolsonaro e envolve deputado Mário Frias

Polícia Federal investiga R$ 19 milhões em transações atípicas na produtora do filme Dark Horse, com envolvimento do deputado Mário Frias.
A Polícia Federal expôs um esquema financeiro suspeito envolvendo a Go Up Entertainment Ltda, produtora do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF identificou movimentações atípicas de R$ 19 milhões nas contas da empresa entre novembro e dezembro de 2025.
A investigação, que culminou na operação Make Up, mira o possível desvio de emendas parlamentares repassadas a uma organização da sociedade civil ligada ao financiamento do longa. Entre os enviados de recursos para a produtora, destaca-se o deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura e produtor executivo do filme, que transferiu R$ 645,4 mil ao caixa da Go Up.
Mandados em quatro estados e Distrito Federal
A operação cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, além de contar com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). As apurações apontam para uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, que teria direcionado recursos de forma irregular a empresas subcontratadas, sem comprovação da prestação efetiva dos serviços.
Crimes investigados e pressão no STF
O inquérito no STF, com relatoria dos ministros Flávio Dino e André Mendonça, apura crimes como peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental, organização criminosa e irregularidades em licitações. Em março, Dino já havia cobrado explicações de Frias sobre uma emenda de R$ 2 milhões destinada a ONG vinculada à produtora do filme.
Contexto político e repercussão
Esse episódio expõe o desgaste político em torno do financiamento do Dark Horse, que tenta atravessar a turbulência das suspeitas de corrupção eleitoral e desvio de recursos públicos. O depoimento de Frias e as investigações tendem a alimentar o debate sobre o uso de recursos públicos em produções ligadas a figuras políticas e aos seus interesses partidários.
O deputado, em manifestação ao Supremo, nega irregularidades e afirma que os recursos tiveram destinação social, mas a PF mantém o foco nas movimentações atípicas e na complexa teia financeira que envolve o financiamento do filme.










