História da vida rural molda o bairro Umbará em Curitiba


Formação e transformações do bairro Umbará destacam a relação entre a vida do campo e a expansão urbana de Curitiba

História da vida rural molda o bairro Umbará em Curitiba
Vista do bairro Umbará com destaque para a igreja matriz São Pedro do Umbará. Foto: Hully Paiva/SECOM

O bairro Umbará em Curitiba reflete a trajetória da vida rural na cidade, revelando memórias, etimologia e transformações sociais e econômicas ao longo do tempo.

A origem do bairro Umbará e seu nome indígena

O bairro Umbará, segundo maior em extensão da cidade de Curitiba, possui uma história intrinsecamente ligada à vida rural e à cultura indígena. Desde o início do século 19, a região foi ocupada por mineradores que falavam a língua geral de origem tupi, originando o nome Umbará, que significa o fruto vermelho da planta silvestre quando começa a amadurecer. Marcos Afonso Zanon, historiador e morador nato do bairro, destaca que essa etimologia diferencia-se das versões populares que relacionam o nome ao barro predominante na região, reforçando a importância da pesquisa histórica para entender a identidade local.

Vida rural e a economia da erva-mate no Umbará

Durante o auge do ciclo econômico da erva-mate no Paraná, o bairro Umbará foi caracterizado por uma intensa atividade agrícola. As barricarias, oficinas para a fabricação de barris usados no estoque da erva-mate, eram comuns nas propriedades locais, destacando famílias como Gabardo, Negrello e Merlin nesse setor. A vida no campo era marcada pelo trabalho na lavoura, cuidado dos animais e produção de alimentos para o sustento das famílias, como relatado por dona Brígida Moletta, que vive na região desde os anos 1920 e preserva a memória dessas práticas tradicionais.

A influência dos imigrantes e a formação da comunidade

O bairro teve sua formação consolidada pela integração de imigrantes italianos e poloneses, que chegaram após os primeiros habitantes brasileiros. Estes grupos migratórios trouxeram suas tradições, religiões e modos de vida, influenciando o desenvolvimento social e cultural do Umbará. A devoção católica, por exemplo, motivou a instalação da Paróquia São Pedro do Umbará, cuja construção contou com a participação ativa da comunidade local, incluindo Irineu Samuel Moletta, marido de dona Brígida.

A cerâmica e a indústria local como legado econômico

Além da agricultura e da erva-mate, o Umbará também destaca-se pela produção cerâmica, especialmente com a trajetória da família Wosniak. Desde 1947, a olaria familiar evoluiu para a Cerâmica Beira Rio, que até hoje produz tijolos utilizados em prédios emblemáticos da cidade, como restaurantes e sedes governamentais. Daniel Wosniak lembra dos desafios iniciais, quando a produção ainda dependia da tração animal, ressaltando a força do empreendedorismo local diante das dificuldades econômicas.

Transformações urbanas e manutenção das tradições no bairro Umbará

Ao longo das décadas, o Umbará passou por mudanças significativas, tornando-se uma região urbana com infraestrutura como asfalto e iluminação pública. No entanto, a essência comunitária e os laços entre famílias permanecem, como ressaltam os moradores veteranos. A tradição rural resiste, por exemplo, na produção de uvas pelas parreiras cultivadas há mais de 90 anos pela família Moletta. A preservação dessas histórias e práticas é fundamental para o entendimento do desenvolvimento urbano aliado à valorização da cultura local.

A comunidade e o patrimônio cultural na atualidade

A união dos moradores e o amor pelo bairro são pontos centrais para manter viva a história do Umbará. Eventos como a famosa decoração natalina da Rua Nicola Pelanda atraem milhares de visitantes, fortalecendo o vínculo entre passado e presente. O legado de pessoas como dona Maria de Lourdes Pelanda, conhecida por seu cuidado com a comunidade, exemplifica o espírito colaborativo que ajudou a construir a identidade do bairro. A valorização da memória local é reconhecida como um elemento essencial para o fortalecimento da cidadania e da cultura regional.

Fonte: www.curitiba.pr.gov.br

Fonte: Hully Paiva/SECOM


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