Embaixada dos EUA apoia declaração de Trump em defesa de Bolsonaro

Nota oficial reforça fala do ex-presidente americano e critica suposta perseguição política contra Bolsonaro e seus aliados

A defesa de Bolsonaro ganhou um novo e relevante apoio internacional. Após declaração de Trump em sua rede Truth Social para criticar o tratamento dado a Jair Bolsonaro pelas autoridades brasileiras e classificá-lo como vítima de uma “caça às bruxas”, a embaixada americana no Brasil emitiu uma nota oficial na qual endossa as declarações do republicano e afirma estar “acompanhando de perto” as investigações que envolvem o ex-presidente brasileiro e sua família.

O comunicado foi divulgado na quarta-feira (9/7) e surpreendeu pelo tom político direto. A representação diplomática norte-americana ressaltou a importância da relação bilateral com Bolsonaro no período em que esteve no poder e não hesitou em classificar os processos contra ele como contrários aos princípios democráticos.

“Jair Bolsonaro e sua família têm sido fortes parceiros dos Estados Unidos. A perseguição política contra ele, sua família e seus apoiadores é vergonhosa e desrespeita as tradições democráticas do Brasil. Reforçamos a declaração do presidente Trump. Estamos acompanhando de perto a situação”, afirmou a embaixada dos EUA em Brasília.

Trump pressiona e embaixada endossa

No início da semana, Donald Trump já havia se posicionado em favor de Bolsonaro. Em publicação em sua rede social, o ex-presidente americano disse que “o único julgamento que deveria estar acontecendo é o julgamento pelos eleitores do Brasil – isso se chama eleição. Deixem Bolsonaro em paz!”. Trump também afirmou que o ex-presidente brasileiro era um “líder forte” e que está sendo perseguido pelo simples fato de ter lutado pelo povo.

A manifestação da embaixada, que normalmente mantém tom diplomático, foi interpretada por analistas como um sinal claro do alinhamento político entre os dois ex-presidentes e do apoio dos setores conservadores americanos ao bolsonarismo. É também mais um episódio que coloca em evidência as tensões entre os Poderes no Brasil e os impactos internacionais da crise política brasileira.

Julgamento no STF e reações internas

O pano de fundo das críticas internacionais é o processo em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), onde Jair Bolsonaro e outros sete aliados são réus por suspeita de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou o grupo como o núcleo duro de uma organização criminosa que teria atuado para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022.

Além disso, Bolsonaro foi declarado inelegível em dois processos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em uma das ações, ele foi condenado por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, após promover ataques infundados ao sistema eleitoral brasileiro em reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada.

Lula reage e reforça soberania brasileira

Diante da repercussão das falas de Trump e do comunicado da embaixada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com veemência. Em declaração feita durante a cúpula do Brics, no Rio de Janeiro, Lula afirmou que o Brasil é uma nação soberana e não aceitará interferências de líderes estrangeiros em seus assuntos internos.

“A defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros. Somos um país soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja. Possuímos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei. Sobretudo, os que atentam contra a liberdade e o estado de direito”, afirmou Lula.

Cresce pressão internacional e polarização política

A nota da embaixada americana marca um novo capítulo na crescente polarização em torno da figura de Jair Bolsonaro. A aliança internacional entre setores conservadores dos EUA e o ex-presidente brasileiro já vinha sendo cultivada há anos, mas agora se materializa também no campo diplomático, tensionando as relações entre o Brasil e os EUA sob o governo Biden, que tem uma postura mais reservada em relação à política brasileira.

Com as eleições de 2026 se aproximando e a possibilidade de reabilitação política de Bolsonaro ainda sendo discutida, o apoio declarado da embaixada americana pode influenciar o cenário interno e alimentar novas disputas sobre a legitimidade das ações judiciais em curso.

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