Omar Aziz deve presidir CPMI do INSS; governo também quer definir relator


Planalto tenta garantir maioria e evitar que oposição transforme comissão em palanque político

Depois de não conseguir barrar a criação da CPMI do INSS, o governo Lula mudou de estratégia e agora trabalha para assumir o comando da comissão. A principal aposta do Planalto é emplacar o senador Omar Aziz (PSD-AM) na presidência, como forma de garantir maior controle político sobre os rumos da investigação.

Governo quer Omar Aziz presidindo CPMI do INSS para não sofrer muito desgaste na comissão (Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República)

A CPMI foi oficialmente criada após a leitura do requerimento no Senado no dia 17 de junho, com assinaturas de 223 deputados e 37 senadores. O objetivo é apurar suspeitas de fraudes que resultaram em descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, num esquema que pode ter causado prejuízo de até R$ 6 bilhões.

A prioridade do governo agora é evitar que a comissão seja comandada pela oposição, especialmente pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. O maior risco identificado pelo Planalto é que a CPMI vire um palanque político contra o presidente Lula. Por isso, além de tentar assegurar a presidência com Aziz, o governo também articula para impedir que o PL fique com a relatoria, considerada o cargo mais estratégico da comissão.

Pelo regimento, a presidência da CPMI deve ficar com um senador, enquanto a relatoria cabe a um deputado. A base governista avalia que Aziz tem perfil moderado e trânsito entre diferentes bancadas, o que poderia contribuir para uma condução menos hostil ao Palácio do Planalto. A escolha, no entanto, ainda depende de acordo entre os partidos.

Do lado da Câmara, o comando da relatoria está no centro da disputa. O PL pressiona para indicar um nome da oposição, como os deputados Coronel Crisóstomo (PL-RO) ou Coronel Fernanda (PL-MT). A orientação do governo é construir uma solução de consenso com o centrão, com apoio direto do presidente da Câmara, deputado Hugo Mota (Republicanos-PB), para tentar garantir um nome mais alinhado ou pelo menos neutro.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), tem defendido a formação de uma comissão equilibrada, com representação proporcional entre as bancadas, para evitar um domínio de qualquer lado. A avaliação entre os articuladores políticos do governo é que a maioria dos parlamentares que integram a comissão tende a ser de partidos de centro, o que pode facilitar a negociação.

Nos bastidores, o Planalto também trabalha para reforçar a narrativa de que as fraudes no INSS não começaram na atual gestão. A linha adotada é a de que os descontos irregulares têm origem em práticas anteriores, ainda durante o governo Bolsonaro, e só foram descobertos agora, durante as ações de fiscalização feitas pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal.

Além da preocupação política, o governo também tenta evitar que os trabalhos da CPMI prejudiquem o andamento das medidas de reparação aos aposentados lesados. A Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Previdência têm alertado que a devolução dos valores cobrados indevidamente precisa ser feita com agilidade, e temem que o foco excessivo na CPMI atrase esse processo.

A expectativa é que os partidos indiquem os membros da comissão nos próximos dias. A instalação oficial da CPMI e a definição dos cargos de presidência e relatoria só devem ocorrer em agosto, após o recesso legislativo de julho. Os trabalhos da comissão terão duração de 180 dias.

Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!


Veja também

Flávio Bolsonaro apresenta nomes para STF e avalia indicação de Rodrigo Pacheco

Flávio Bolsonaro revela ter vários nomes para indicação ao STF e considera Rodrigo Pacheco como …

Gleisi destaca oportunidade para indicar mulher ao STF após derrota de Messias

Derrota histórica da indicação de Jorge Messias no Senado abre a possibilidade de discutir a …

Edinho Silva critica Congresso por reduzir penas de envolvidos em atos de 8 de janeiro

Edinho Silva acusa Congresso de virar as costas para a sociedade ao reduzir penas de …

Congresso reduz pena de condenados pelo 8 de janeiro e gera críticas

Congresso derruba veto ao projeto da dosimetria, reduzindo penas dos condenados pelos atos do 8 …

Palanque de Lula em Minas sofre abalo após impasse com senador Pacheco

Derrota de Messias no STF gera crise política e questiona papel de Rodrigo Pacheco na …

Palanque de Lula em Minas enfrenta crise após rejeição de Messias no STF

Rejeição de Jorge Messias ao STF expõe fragilidades no palanque de Lula em Minas e …

Últimas Notícias

Flávio Bolsonaro apresenta nomes para STF e avalia indicação de Rodrigo Pacheco

Flávio Bolsonaro revela ter vários nomes para indicação ao STF e considera Rodrigo Pacheco como…

Gleisi destaca oportunidade para indicar mulher ao STF após derrota de Messias

Derrota histórica da indicação de Jorge Messias no Senado abre a possibilidade de discutir a…

Edinho Silva critica Congresso por reduzir penas de envolvidos em atos de 8 de janeiro

Edinho Silva acusa Congresso de virar as costas para a sociedade ao reduzir penas de condenados…

Congresso reduz pena de condenados pelo 8 de janeiro e gera críticas

Congresso derruba veto ao projeto da dosimetria, reduzindo penas dos condenados pelos atos do 8 de…

Palanque de Lula em Minas sofre abalo após impasse com senador Pacheco

Derrota de Messias no STF gera crise política e questiona papel de Rodrigo Pacheco na estratégia…