Setor denuncia exclusão injusta da lista de exceções enquanto outros produtos do agronegócio são poupados

Indústria do tabaco brasileira estima perdas de até US$ 100 milhões por exclusão da lista de exceções das novas tarifas americanas, enquanto outros produtos do agronegócio são protegidos.
O setor do tabaco brasileiro está na berlinda diante da recente medida dos Estados Unidos que impôs tarifas adicionais de 10% a 12,5% sobre produtos brasileiros, mas deixou o tabaco fora da lista de exceções que beneficiou outras commodities do agronegócio. O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e a Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) encaminharam carta ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), exigindo atuação firme para reverter essa exclusão que pode custar até US$ 100 milhões em exportações.
Essa discriminação gera um claro desgaste para um setor que sustenta a economia de 525 municípios brasileiros e garante renda para mais de 600 mil trabalhadores rurais. Enquanto o café, a carne bovina, o mel orgânico e outros produtos obteram tratamento diferenciado e foram poupados da sobretaxa, o tabaco foi deixado à mercê da tarifaço americano, um recuo que pressiona ainda mais seu mercado externo.
Historicamente, os EUA representavam o terceiro maior destino das exportações brasileiras de tabaco, com 9% do mercado em 2025. No entanto, esse percentual já vinha em queda, atingindo apenas 6% em 2026, e a nova tarifa ameaça aprofundar essa retração, afetando diretamente a cadeia produtiva e a economia rural.
O governo brasileiro enfrenta agora o desafio de negociar e pressionar para que o tabaco entre na lista de exceções, evitando um impacto econômico expressivo e o enfraquecimento de um setor vital para regiões do interior do país. A resposta das autoridades será decisiva para conter o desgaste e preservar empregos num momento em que a indústria do fumo já demonstra sinais claros de esgotamento no mercado externo.








