Universidade desconsidera quadro de ludopatia e barra benefício do Prouni por movimentações financeiras em apostas online

Estudante tem bolsa integral do Prouni cancelada pela UNIP após a universidade enquadrar movimentações financeiras da mãe em apostas online como renda familiar, ignorando quadro de ludopatia.
Um estudante aprovado para bolsa integral no programa Prouni teve o benefício revogado pela UNIP, que considerou movimentações financeiras da mãe em plataformas de apostas online como renda familiar, ultrapassando o limite permitido pelo programa. Eduardo Luvizetto dos Santos, que foi pré-selecionado para cursar Psicologia, afirma que a renda da família está dentro do limite de até 1,5 salário mínimo por pessoa e que os valores movimentados se tratam de depósitos e saques vinculados ao vício da mãe em jogos, a ludopatia, não de ganhos financeiros.
A universidade justificou a decisão com base na legislação do Imposto de Renda, que considera prêmios oriundos de jogos como renda, e afirmou que a condição de ludopatia da mãe não influencia na aprovação do processo. A instituição destaca que o programa considera apenas a renda bruta familiar, sem descontar dívidas ou empréstimos.
UNIP ignora situação clínica para cortar benefício
A recusa da UNIP em reconhecer a ludopatia da mãe como um fator atenuante no processo evidencia um critério rígido e pouco sensível aos problemas sociais e psicológicos que impactam a renda familiar. O caso expõe uma falha no sistema de avaliação do Prouni, que pode penalizar estudantes em situações vulneráveis, ao tratar o vício em jogos como fonte legítima de renda.
Impacto político e social do caso
O episódio traz à tona debates sobre a eficácia e justiça dos critérios do Prouni, programa essencial para ampliar o acesso ao ensino superior no Brasil. A decisão da UNIP pode abrir precedentes para que outras instituições utilizem interpretações questionáveis da renda familiar, ameaçando a inclusão social via educação.
Este caso evidencia a necessidade de revisão dos parâmetros do programa para que considerem as nuances da realidade dos candidatos, evitando decisões que prejudiquem jovens em situação de vulnerabilidade, em especial quando questões de saúde mental estão envolvidas.








