Setor florestal paranaense enfrenta impacto do tarifaço norte-americano e busca alternativas para manter liderança econômica

Programa Semeando Informação debate a pressão do tarifaço dos EUA sobre o setor florestal do Paraná, que responde por 20% da produção nacional de madeira.
Paraná no centro da tempestade tarifária dos EUA
O Paraná, que detém cerca de 1,3 milhão de hectares de florestas plantadas e responde por 20% da produção nacional de madeira, está no olho do furacão diante do chamado tarifaço imposto pelos Estados Unidos. O programa Semeando Informação, da TV Assembleia, expôs nesta segunda-feira (3) os impactos severos dessa medida sobre a silvicultura paranaense, um dos pilares do agronegócio local.
Complexidade e planejamento de longo prazo ameaçados
Ailson Augusto Loper, diretor-executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), ressaltou a dificuldade do setor em administrar ciclos produtivos que podem chegar a 28 anos, diante de custos, oscilações cambiais e juros. “Nossa vantagem é que a floresta não é perecível, mas os ciclos longos tornam o negócio bastante desafiador”, afirmou, destacando a necessidade de jogo de cintura para enfrentar o cenário atual.
Estratégias de sobrevivência e diversificação
Para contornar o tarifaço, empresas florestais do Paraná adotaram estratégias variadas: desenvolvimento de produtos com maior aceitação nos EUA, redirecionamento para o mercado interno e ampliação da industrialização no exterior. Além disso, cresce a aposta na madeira engenheirada e no uso da madeira maciça na construção civil, setores em expansão que podem aliviar a pressão do comércio internacional.
Silvicultura paranaense: força econômica e ambiental
Edilson Batista de Oliveira, pesquisador da Embrapa Florestas, destacou que o Paraná possui a melhor indústria de silvicultura do Brasil, com mais de 700 mil empregos diretos e 2,8 milhões indiretos. Ressaltou também os benefícios ambientais, como a redução da pressão sobre matas nativas e a absorção significativa de dióxido de carbono, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas.
Avanços genéticos e inovação sustentam o setor
A pesquisa da Embrapa trouxe ganhos expressivos em produtividade por meio do melhoramento genético de eucalipto, com árvores triplicando a produção inicial. Iniciativas como integração lavoura-pecuária-floresta e uso do eucalipto para etanol de milho apontam caminhos inovadores e ambientalmente responsáveis para o futuro da silvicultura no Paraná.
O tarifaço norte-americano expõe fragilidades e exige adaptação rápida de um setor fundamental para a economia paranaense. A resposta do campo e da indústria será decisiva para manter a competitividade e preservar milhares de empregos diante de um cenário global cada vez mais desafiador.
Fonte: assembleia.pr.leg.br








