Executivos alertam para mudança urgente em modelos de decisão e governança no Brasil

Mudanças climáticas e a revolução tecnológica expõem a obsolescência do modelo de liderança tradicional brasileiro. Especialistas defendem nova governança, visão de longo prazo e aproveitamento das oportunidades ambientais para reposicionar o Brasil no cenário global.
As mudanças climáticas e a revolução tecnológica escancaram a falência do modelo tradicional de liderança no Brasil. Em um mundo que não se parece mais com o de ontem, estruturas centralizadas e decisões de curto prazo já não bastam para enfrentar os desafios que ameaçam a estabilidade econômica e social do país.
No videocast ‘O Clima na Faria Lima’, do InfoMoney, especialistas Daniela Rogatis, fundadora do Legado, e Sérgio Suchodolski, CEO da Fama Re.capital, expuseram a urgência de reimaginar a liderança e governança no cenário brasileiro.
Liderança obsoleta e a necessidade de adaptação
Suchodolski ressalta a transição do foco das empresas e investidores: deixar de agir apenas na defesa contra riscos climáticos para buscar ativamente a criação de valor em setores emergentes como agricultura regenerativa, descarbonização industrial e energias renováveis. “As oportunidades são gigantescas”, afirma, destacando que negócios tradicionais intensivos em emissões estão sendo forçados a reinventar-se para sobreviver em um horizonte de 15 a 20 anos.
Daniela Rogatis reforça que jovens líderes e profissionais devem abandonar a busca por estabilidade em setores convencionais e desenvolver habilidades para navegar em um cenário de alta volatilidade. Ela provoca: “Se sua empresa gera externalidades negativas para o meio ambiente, é exatamente ali que estão as oportunidades para inovação e novos negócios”.
Governança ultrapassada, desafios geracionais e responsabilidade social
Ambos os especialistas apontam que o Brasil mantém vantagens competitivas cruciais – como sua agricultura e potencial em energia limpa – que podem ser alavancadas para um salto de desenvolvimento, mas somente com uma governança modernizada que reflita os anseios da nova geração e das transformações globais.
Daniela questiona o compromisso das famílias empresárias que, mesmo acumulando influência e riqueza, correm o risco de perder conexão com o país que originou seu patrimônio em uma era globalizada. “Esse papel não deve ser exclusivo delas; a sociedade civil precisa assumir protagonismo na construção do futuro”, defende.
Suchodolski vai além, afirmando que o modelo de governança herdado de 1943 já não atende às demandas atuais e urge uma nova estrutura capaz de unir a sociedade em torno de um plano estratégico para o Brasil. “É uma ideia radical, mas necessária: convergir as forças vivas do país para avançar economicamente e socialmente”.
Oportunidades e o futuro em jogo
O debate não deixa dúvidas: o Brasil pode e deve aproveitar seu potencial para atrair investimentos e liderar a transição econômica global, mas isso exige coragem para romper com paradigmas do passado, fortalecer coalizões e repensar a forma como se lidera e governa. O relógio não para e a janela para o desenvolvimento sustentável se fecha rapidamente, exigindo ação imediata e estratégica.








