Ex-presidente da Alerj e desembargador são acusados de obstrução em investigação contra líder do Comando Vermelho

Com maioria formada, STF avança para tornar ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar réu por suposto vazamento que permitiu fuga de líder do Comando Vermelho, revelando graves falhas e pressões dentro da investigação.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou nesta terça-feira maioria de votos para tornar réu o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, no contexto de um processo que apura vazamento de ação policial contra o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, apontado como líder do Comando Vermelho. Com 3 a 0 no placar, faltando apenas o voto do ministro Flávio Dino, a decisão reforça as suspeitas de obstrução de justiça em investigação de alta relevância para a segurança pública.
Vazamento que desmontou operação
Segundo as investigações da Polícia Federal, Bacellar teria alertado TH Joias sobre a iminente operação policial, o que permitiu a destruição de provas e a fuga do parlamentar antes da chegada dos agentes. A atuação do ex-presidente da Alerj teria comprometido a Operação Zargun, destinada a combater o crime organizado no Rio de Janeiro. A interferência foi descoberta após análise detalhada dos materiais apreendidos na ação de setembro do ano passado.
Desembargador sob suspeita central
O desembargador Macário Júdice, que à época era relator das investigações no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), é apontado pela Procuradoria-Geral da República como peça central no vazamento e acusado de violação de sigilo funcional. O caso lança luz sobre o possível conluio dentro do Judiciário para proteger figuras do crime organizado, uma mancha grave no sistema de Justiça.
Prisões e repercussão política
Rodrigo Bacellar foi preso inicialmente em dezembro numa operação contra agentes públicos vazadores de informações sigilosas, libertado após votação da Alerj, e preso novamente em março após cassação de seu mandato pelo TSE. TH Joias está preso desde setembro de 2025, e Macário Júdice desde dezembro, reforçando o peso das acusações contra ambos.
O desdobramento no STF pode consolidar a responsabilização de figuras que abusaram da confiança pública para atrapalhar investigações cruciais, ampliando o desgaste político em um cenário já marcado por crises de segurança e impunidade.








