Candidata do UP propõe auditoria da dívida pública e suspensão de pagamento de juros para financiar aumento salarial

Samara Martins, candidata do Unidade Popular, defende auditoria da dívida pública e calote nos juros para bancar o aumento do salário mínimo, propondo dobrá-lo para cerca de R$ 3.200.
Samara Martins, candidata do Unidade Popular (UP) à Presidência da República, lançou uma proposta que promete mexer com as estruturas financeiras e políticas do país. Em entrevista ao Metrópoles, defendeu a realização de uma auditoria da dívida pública brasileira e a suspensão do pagamento dos juros dessa dívida, um calote que pretende usar para bancar o aumento do salário mínimo — que ela quer dobrar, chegando a cerca de R$ 3.200.
Segundo Samara, o Brasil destina hoje R$ 1,8 trilhão para juros e amortizações da dívida pública, o que ela critica duramente, chamando esse montante de uma verdadeira “bolsa bancária” que enriquece as oligarquias financeiras brasileiras e globais.
“Em nome do chamado superávit primário, que nada mais é do que uma economia feita para pagar os juros da dívida pública, propomos auditar essa dívida, como está previsto na Constituição, e suspender esses pagamentos”, afirmou. Ela lembra que o salário mínimo parou de crescer em termos reais a partir das reformas e do teto de gastos de 2016, o que trava o poder de compra do trabalhador brasileiro.
A candidata ainda cita o exemplo do Equador, onde uma auditoria cidadã da dívida, coordenada por Maria Luíza Fatorelli — que atua também no Brasil — conseguiu reduzir a dívida em 70%, liberando recursos para outras áreas. Samara lamenta que, no Brasil, uma tentativa semelhante feita em 2016 tenha sido vetada pela então presidente Dilma Rousseff.
Para ela, a auditoria é urgente e necessária para identificar ilegalidades na dívida e justificar a suspensão dos pagamentos aos credores, cujo sistema, segundo Samara, foi projetado para manter as elites financeiras no topo.
Além das propostas econômicas, durante a entrevista, a presidenciável do UP também abordou temas como a presença feminina na política, reforma do Judiciário, combate ao feminicídio, segurança pública e o fim dos planos de saúde privados.
A postura de Samara Martins evidencia o discurso antissistema e a crítica contundente ao modelo fiscal vigente, desafiando diretamente o establishment financeiro que domina o debate econômico brasileiro. Sua fala promete intensificar o debate sobre a sustentabilidade da dívida pública e o papel do Estado no equilíbrio entre pagamento de juros e políticas sociais.
Propostas que desafiam o status quo
- Auditoria ampla da dívida pública para identificar ilegalidades
- Suspensão do pagamento dos juros da dívida pública
- Uso dos recursos para dobrar o salário mínimo, atualmente em R$ 1.621
- Críticas à reforma fiscal e ao teto de gastos que limitam aumentos reais do salário
- Referência à experiência do Equador como modelo para redução da dívida
O impacto político
Samara Martins chega às eleições de 2026 com um discurso que confronta diretamente o mercado financeiro e a ortodoxia fiscal, apostando em medidas radicais para redistribuir renda e alterar prioridades orçamentárias. Sua proposta, embora polêmica, acende um debate necessário sobre os rumos da política econômica brasileira e os limites do pagamento da dívida em detrimento do bem-estar social.
Fonte: metropoles.com










