Moscou pressiona Londres e Paris após fornecimento de mísseis à Ucrânia

Rússia eleva tom contra Reino Unido e ameaça atacar alvos militares britânicos, após Londres liberar produção de mísseis para Ucrânia. Ameaça inclui Paris, que também autorizou transferência tecnológica.
A Rússia elevou significativamente o tom contra o Reino Unido nesta quinta-feira (27), ameaçando atacar alvos militares britânicos tanto dentro quanto fora da Ucrânia. A reação de Moscou surge após ataques ucranianos em solo russo que utilizaram mísseis de cruzeiro britânicos de longo alcance do tipo Storm Shadow/SCALP, cuja tecnologia agora pode ser produzida localmente pela Ucrânia graças à autorização britânica e francesa.
Em coletiva de imprensa em Moscou, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, foi enfática ao afirmar que Londres está perigosamente próxima de se tornar cúmplice legalmente do que chamou de “terrorismo” contra civis russos, alerta que carrega o risco de “consequências catastróficas” caso o Reino Unido não mude sua postura.
Zakharova ainda ampliou a ameaça para Paris, que também consentiu com o licenciamento da tecnologia do míssil Storm Shadow, acusando ambos os países de “brincar com fogo” ao armar Kiev com equipamentos sensíveis que aprofundam o conflito. A representante russa criticou o primeiro-ministro britânico Andy Burnham, apontando que sua administração escolheu o caminho mais arriscado ao escalar o conflito na Ucrânia.
O Kremlin reforça que qualquer instalação militar britânica na Ucrânia ou além de suas fronteiras está sujeita a ataques em retaliação às ofensivas ucranianas que utilizam armamento britânico. Esse recado direto indica uma potencial ampliação do teatro de guerra, envolvendo militarmente países da OTAN, o que pode levar a uma crise ainda maior na região.
Do lado britânico, o Ministério da Defesa respondeu reafirmando sua aliança firme com a Ucrânia, destacando o compromisso de continuar fornecendo os equipamentos necessários para que Kiev se defenda contra a “invasão ilegal” de Vladimir Putin. O governo britânico não demonstra sinais de recuo diante das advertências russas.
A tensão vigente reflete a escalada das hostilidades desde que a Ucrânia intensificou sua campanha contra alvos russos e aqueles sob controle russo no leste do país, utilizando mísseis de longo alcance fornecidos ou habilitados por seus aliados ocidentais. Ainda que ambos os lados neguem ataques deliberados a civis, o conflito já deixou milhares de vítimas civis, e relatos indicam que os ataques ucranianos dentro da Rússia aumentaram exponencialmente em 2026.
Essa situação evidencia o desgaste das relações entre Moscou e as potências ocidentais, com o Reino Unido e agora a França diretamente envolvidos em um jogo de pressões que pode expandir o conflito para novas frentes, ampliando o risco de confrontos diretos entre Rússia e membros da OTAN.
Rússia Pressiona Ocidente e Eleva Risco de Escalada
A ameaça russa deixa claro que Moscou está pronta para reagir a qualquer tentativa ocidental de fortalecer a Ucrânia militarmente, indicando que a guerra pode extrapolar o território ucraniano e envolver diretamente os países fornecedores de armamentos.
Reino Unido Reafirma Apoio e Enfrenta Retaliações
Londres mantém a decisão de armar Kiev, desconsiderando as ameaças russas, o que sinaliza uma disputa aberta entre o governo britânico e o Kremlin, com potencial para deteriorar ainda mais o ambiente diplomático e aumentar a instabilidade na região.








