Os riscos da popularização do fisiculturismo no Brasil


Reflexões sobre os perigos associados à modalidade em ascensão e seu impacto na saúde

Os riscos da popularização do fisiculturismo no Brasil
Ramon Dino, destaque atual do fisiculturismo. Foto: Bruno Gualano

A popularização do fisiculturismo traz riscos associados ao uso de substâncias perigosas.

A ascensão do fisiculturismo e seus perigos

A popularização do fisiculturismo no Brasil, impulsionada pelo sucesso de atletas como Ramon Dino, levanta preocupações sobre os riscos associados à prática. Embora o fisiculturismo seja um esporte admirado por sua estética, ele é frequentemente marcado por práticas perigosas, como o uso de anabolizantes.

Dino, que recentemente conquistou o Mr. Olympia na categoria Classic Physique, é uma figura central nesse contexto. Sua notoriedade não deve ofuscar a seriedade das consequências que a modalidade pode acarretar. A pressão para alcançar padrões estéticos elevados tem levado muitos fisiculturistas a adotar rotinas extremas, o que pode resultar em sérios problemas de saúde.

A busca pela perfeição e suas consequências

O fisiculturismo não deve ser confundido com musculação; enquanto a musculação foca no treinamento com pesos, o fisiculturismo é uma competição estética. Os atletas se submetem a treinos rigorosos, dietas controladas e restrições sociais, o que pode levar a uma insatisfação crônica com a própria imagem. Estudos indicam que uma parte significativa das mulheres fisiculturistas apresenta dismorfia muscular, uma condição onde se sentem insatisfeitas com sua aparência, mesmo alcançando grandes resultados.

Entre os homens, a situação não é diferente, com muitos relatando descontentamento com seu corpo, como exemplificado pelo icônico Arnold Schwarzenegger, que, mesmo após vitórias, lutava contra sua própria imagem. Essa dismorfia é apenas uma faceta do que muitos atletas enfrentam.

Uso de substâncias e riscos à saúde

Um dos aspectos mais preocupantes do fisiculturismo é a prevalência do uso de esteroides anabolizantes. Embora essas substâncias não sejam exclusivas desse esporte, o fisiculturismo está intimamente ligado a elas, e muitos acreditam que o uso de anabolizantes é essencial para o sucesso competitivo. Essa prática é amplamente difundida, e atletas que competem em nível de elite frequentemente recorrem a essas substâncias para melhorar seu desempenho.

Infelizmente, isso resulta em uma taxa de mortalidade cardiovascular mais alta entre fisiculturistas em comparação com a população geral. O uso irresponsável de esteroides, mesmo sob supervisão médica, não é seguro e aumenta os riscos de complicações graves.

A responsabilidade na popularização do fisiculturismo

Embora Ramon Dino tenha reconhecido publicamente os perigos associados ao uso de anabolizantes, suas declarações sobre o uso “correto” dessas substâncias são problemáticas. O consenso científico aponta que não existe um uso seguro de anabolizantes. É vital que a comunidade esportiva e os aspirantes a fisiculturistas compreendam que a busca por um corpo ideal pode ter consequências devastadoras.

O momento de sucesso do fisiculturismo não deve encobrir sua natureza arriscada. Ao discutir a popularização da modalidade, é imperativo que se ressalte a importância de práticas seguras e a necessidade de conscientização sobre os riscos da atividade. Essa abordagem pode ajudar a garantir que a paixão pelo fisiculturismo não comprometa a saúde e o bem-estar dos praticantes.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Bruno Gualano


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