Universidade incentiva o uso de jornalismo profissional em discussões sociais através de sua prova de vestibular

A Unicamp usou reportagem da Folha como base para proposta de redação em seu vestibular 2026, abordando radicalização juvenil.
Prova da Unicamp usa reportagem da Folha como base de redação
A segunda fase do Vestibular Unicamp 2026, realizada nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, trouxe uma proposta de redação que utilizou como referência uma reportagem da Folha. A abordagem focou na radicalização juvenil e na misoginia online, reforçando o papel do jornalismo profissional na discussão de temas sociais relevantes.
Tema da redação e sua relevância social
A proposta de redação pediu aos candidatos que escrevessem um depoimento como se fossem jovens repórteres infiltrados na “machosfera”, um conjunto de comunidades online que disseminam misoginia e incitação à violência contra mulheres. O texto de apoio principal foi a reportagem “Radicalização de jovens no ambiente virtual, como em ‘Adolescência’, aponta cenário desafiador”, publicada em março de 2025 e escrita por Fernanda Mena. Essa escolha destaca a importância de utilizar fontes jornalísticas confiáveis na formação de opinião crítica entre os estudantes.
Análise da reportagem utilizada
A reportagem da Folha analisa a influência de subculturas digitais, como redpill e incel, sobre adolescentes. Ela usa como referência a minissérie “Adolescência” da Netflix, que retrata a história de Jamie Miller, uma jovem que se envolve em um homicídio após ser exposta a conteúdos misóginos. Essa narrativa foi utilizada para evidenciar os riscos da radicalização juvenil gerados por ambientes digitais.
O texto base da prova ainda trouxe contribuições de especialistas, como o delegado Flávio Rolim, que descreveu as etapas da radicalização, desde a superfície da internet até a dark web, e a juíza Vanessa Cavalieri, que discutiu o aumento de feminicídios entre adolescentes influenciados por esses conteúdos. Além disso, foram incluídos alertas de psiquiatras sobre a dessensibilização emocional e análises de psicanalistas sobre o “abandono digital” e o vácuo da masculinidade contemporânea.
O papel do jornalismo profissional na educação
José Alves de Freitas Neto, diretor da Comvest, enfatizou que a prova mantém a tradição de abordar dilemas contemporâneos com base em fontes confiáveis. Ele mencionou que o uso de jornalismo profissional não apenas estimula uma leitura crítica, mas também ajuda a afastar os candidatos de fake news e bolhas digitais.
Outras propostas da prova
Além da proposta que utilizava a reportagem da Folha, a segunda fase do vestibular apresentou uma segunda proposta que pediu uma nota de esclarecimento sobre a importância histórica da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Esse tema é relevante no atual debate público, especialmente em meio à precarização do trabalho.
Resultados do vestibular
A segunda fase do vestibular da Unicamp ocorreu em 23 cidades e contou com 12.018 candidatos no primeiro dia e 11.880 no segundo. As provas estão disponíveis na página do Vestibular 2026 no site da Comvest, e as respostas esperadas serão divulgadas em 8 de dezembro. A Unicamp oferece 2.530 vagas em 69 cursos de graduação para o ano de 2026.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reprodução/Comvest










