Operação Sem Refino mira suspeitas de fraude fiscal, ocultação patrimonial e evasão de divisas no setor de combustíveis do Rio de Janeiro

A Polícia Federal deflagrou operação que investiga fraude fiscal e ocultação patrimonial envolvendo Cláudio Castro e o grupo Refit, com bloqueio de R$ 52 bilhões.
Polícia Federal investiga esquema bilionário envolvendo Cláudio Castro e grupo Refit no Rio de Janeiro
A Polícia Federal deflagrou em 15 de fevereiro de 2026 a Operação Sem Refino, foco central de uma investigação que envolve o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o grupo empresarial Refit, liderado pelo empresário Ricardo Magro. A apuração concentra-se em suspeitas graves de fraude fiscal, evasão de divisas e ocultação patrimonial, que configuram um dos maiores esquemas já investigados no setor de combustíveis no Brasil.
Supremo Tribunal Federal determina bloqueio de R$ 52 bilhões e suspensão das atividades do grupo Refit
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros vinculados ao grupo Refit, além da suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas. A medida cautelar visa impedir a continuidade das práticas suspeitas e preservar o patrimônio que pode ser fruto de atividades ilícitas. A decisão reflete a gravidade das denúncias e o impacto potencial sobre o mercado e a arrecadação tributária.
Estrutura do esquema: dissimulação de patrimônio e movimentação de recursos no exterior
Conforme relatado pela Polícia Federal, o grupo investigado teria montado uma estrutura complexa para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento dos ativos e operações financeiras. A utilização de empresas de fachada e movimentações financeiras internacionais integra a estratégia para mascarar a real titularidade dos bens. Essa articulação estaria na base da suposta evasão de divisas e lavagem de dinheiro ligada ao setor de combustíveis.
Benefícios fiscais concedidos durante gestão de Cláudio Castro passam a ser alvo de apuração
Entre as linhas investigativas, está o exame dos benefícios fiscais concedidos pelo governo do Rio de Janeiro em 2023 à refinaria de Manguinhos, controlada pelo grupo Refit, com o objetivo oficial de ampliar a participação no mercado de óleo diesel. A relação desses incentivos com as irregularidades fiscais integra as suspeitas que permeiam a apuração, levantando preocupações sobre a lisura das ações do poder público e a eventual conivência com o esquema.
Mandados de busca, medidas cautelares e cooperação internacional
A Operação Sem Refino cumpriu 17 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Foram adotadas medidas cautelares contra os investigados, incluindo a inclusão do empresário Ricardo Magro na difusão vermelha da Interpol, que facilita a cooperação policial internacional para capturar suspeitos em fuga ou fora do país.
Crimes investigados abrangem corrupção, peculato e falsidade ideológica
A investigação da Polícia Federal trabalha com a possibilidade de enquadramento dos autores dos crimes em dispositivos da legislação penal relativos a corrupção ativa e passiva, peculato, associação criminosa, falsidade ideológica e crimes contra as finanças públicas. O conjunto das apurações faz parte de um esforço mais amplo para combater organizações criminosas com atuação econômica e vínculos com agentes públicos no Rio de Janeiro.
Impactos da investigação no setor de combustíveis e no cenário político estadual
O desdobramento do caso pode trazer impactos relevantes para o mercado de combustíveis, especialmente no Rio de Janeiro, dada a escala do grupo Refit e o montante financeiro bloqueado. Politicamente, a investigação coloca o ex-governador Cláudio Castro sob forte escrutínio, em meio a suspeitas que envolvem sua gestão. A transparência das ações públicas e o combate à corrupção são temas centrais nessa conjuntura.
Defesa dos investigados ainda não se pronuncia sobre as acusações
Até o momento, não houve manifestação pública dos defensores de Cláudio Castro e dos demais investigados em relação às acusações formuladas pela Polícia Federal. O desenrolar do processo deve revelar mais detalhes e possíveis respostas dos envolvidos diante das suspeitas que permeiam este esquema bilionário.









