Investigação revela que empresário Henrique Vorcaro teve conta usada pelo filho para movimentar R$ 2,2 bilhões enquanto FGC cobria rombo

PF investiga uso de conta de Henrique Vorcaro para ocultar R$ 2,2 bilhões do Master enquanto FGC cobria prejuízos.
Investigação da Polícia Federal expõe esquema de ocultação no escândalo do Master
A Polícia Federal revelou que a conta bancária do empresário Henrique Vorcaro foi utilizada por seu filho, o banqueiro Daniel Vorcaro, para ocultar R$ 2,2 bilhões no contexto do escândalo do Banco Master. Enquanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) destinava recursos para cobrir o rombo causado no mercado financeiro, os Vorcaro movimentavam valores bilionários que permaneceram ocultos de credores e vítimas. A operação que investiga esses crimes, denominada Compliance Zero, deu início à sua sexta fase nesta quinta-feira, com cumprimento de mandados de prisão e busca em várias capitais brasileiras.
Mandados de prisão e busca evidenciam aprofundamento das apurações
Nesta fase da Operação Compliance Zero, as autoridades cumpriram sete mandados de prisão preventiva em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de 17 ordens de busca e apreensão. Henrique Vorcaro, considerado um dos principais alvos, foi detido. Seu nome já havia sido citado em etapas anteriores da investigação, incluindo a terceira fase, quando o ministro André Mendonça revelou indícios de ocultação de valores em sua conta vinculada à empresa CBSF DTVM, antiga Reag.
Relação entre a empresa CBSF DTVM e lavagem de dinheiro em investigação paralela
A CBSF DTVM, citada na investigação da Polícia Federal, também está associada à Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC) em fundos de investimento. A empresa tem negado a existência de irregularidades, porém as evidências coletadas apontam para um esquema complexo de movimentações financeiras ilícitas, utilizando contas vinculadas à família Vorcaro para disfarçar a origem dos recursos desviados.
Compra de ativos no exterior reforça esquema de ocultação e continuidade da fraude
Além da movimentação financeira no Brasil, a investigação internacionalizada aponta que Henrique Vorcaro e sua filha Natália utilizaram a empresa Sozo para adquirir uma mansão na Flórida em fevereiro de 2023. Documentos apresentados pela liquidante do Banco Master nos Estados Unidos indicam que essa aquisição fazia parte de um esquema para comprar bens com recursos desviados do banco, dando continuidade à fraude e dificultando o rastreamento do patrimônio ilícito.
Impacto da ocultação de recursos no mercado financeiro e na confiança dos credores
O uso da conta familiar para ocultar bilhões de reais no escândalo do Master representa um grave atentado à transparência e à segurança do sistema financeiro nacional. Enquanto o Fundo Garantidor de Créditos desempenhava o papel de proteção aos credores, a movimentação oculta dos Vorcaro contribuiu para a dilapidação do patrimônio que deveria reparar os danos causados. A investigação destaca a reiteração das condutas ilícitas por Daniel Vorcaro, mesmo após sua liberação em novembro, levando à segunda prisão do banqueiro em março e ampliando as medidas contra seus familiares.
Próximos passos da Operação Compliance Zero e resposta das autoridades
Com a detenção dos principais envolvidos e a apreensão de documentos e bens, a Polícia Federal espera aprofundar as provas contra os Vorcaro e demais participantes do esquema. A continuidade das investigações pode resultar em novas fases da operação, com foco em desarticular a rede de lavagem de dinheiro e recuperação de ativos desviados. A ação também reforça o compromisso das autoridades em combater fraudes financeiras que prejudicam investidores, credores e a integridade do sistema bancário.









