Comunicações apontam pressão para pagamentos milionários a escritório ligado a processos de precatórios

Polícia Federal apreendeu mensagens que indicam ligação entre advogada Dalide Corrêa e ministro Gilmar Mendes, usadas para justificar pagamentos milionários do Banco Master ligados a precatórios.
A Polícia Federal apreendeu mensagens no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que indicam que executivos do Banco Master tratavam a advogada Dalide Corrêa como “sócia do ministro Gilmar Mendes”, utilizando essa expressão para pressionar o setor financeiro da instituição a liberar pagamentos milionários a seu escritório. Segundo as investigações, a classificação visava facilitar o trânsito de interesses do banco em processos no Supremo Tribunal Federal (STF). Os pagamentos somaram R$ 33 milhões em 2024 e estão ligados a ações envolvendo precatórios, créditos judiciais adquiridos pelo banco com desconto e que podem gerar lucro após o recebimento integral. O banco acompanhava processos bilionários relacionados ao setor sucroalcooleiro contra o governo federal, com atuação de Dalide em instâncias inferiores da Justiça. O ministro Gilmar Mendes e a advogada negam qualquer relação societária. O gabinete do ministro afirmou que Dalide teve cargo técnico em instituto por ele fundado, do qual se desligou em 2016, e ressaltou que Gilmar Mendes votou contrariamente aos interesses do Banco Master nos julgamentos do STF. Até o momento, a Polícia Federal não encontrou evidências de que o ministro tenha tratado pessoalmente de questões relativas a precatórios com Dalide ou beneficiado o banco em suas decisões. O caso integra uma investigação maior sobre contratos envolvendo o ex-banqueiro e escritórios de advocacia com ligações a membros da Corte, monitorada pela Polícia Federal.
Fonte: gazetadopovo.com.br









