Divergências entre Gabriel Galípolo e Ministério da Fazenda aumentam em meio à tramitação da PEC no Senado

A PEC da autonomia orçamentária do Banco Central provoca tensão entre Gabriel Galípolo e o Ministério da Fazenda na tramitação no Senado.
Conflito entre Galípolo e Fazenda sobre a PEC da autonomia orçamentária do Banco Central
A PEC da autonomia orçamentária do Banco Central, atualmente em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, tem ampliado o desgaste entre Gabriel Galípolo, presidente do BC, e o Ministério da Fazenda. Em 26 de maio de 2026, Galípolo expressou estranhamento com as informações divulgadas na imprensa sobre preocupações da equipe econômica quanto ao impacto fiscal da proposta, ressaltando que o texto veio justamente dessa equipe e foi consolidado pela Advocacia-Geral da União (AGU). Em contrapartida, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o texto em análise não corresponde à proposta apresentada pela Fazenda, que busca evitar aumento da dívida pública. Essa divergência revela um embate interno sobre os rumos da autonomia do BC e sua relação com as finanças públicas.
Histórico da relação entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda
As tensões atuais entre Galípolo e a equipe da Fazenda remontam a pelo menos um ano, quando divergências sobre a elevação do IOF vieram à tona. Durigan, então número dois da Fazenda, revelou que Haddad havia tratado do aumento do imposto com Galípolo antes do anúncio oficial, fato negado pelo presidente do BC. Desde então, a relação entre os dois setores tornou-se mais distante, agravada pela postura firme de Galípolo no Comitê de Política Monetária (Copom) e por discordâncias sobre casos envolvendo gestores do BC. Esse histórico influencia o debate atual sobre a PEC e contribui para o desgaste institucional.
Impactos fiscais e regime jurídico da autonomia do Banco Central na PEC
A proposta original da PEC previa a transformação do Banco Central de autarquia em empresa pública, o que foi rejeitado pelo Planalto. A versão mais recente, sugerida pelo relator senador Plínio Valério e acatada pela AGU, criou a figura de “entidade pública de natureza especial”, integrando o BC ao setor público financeiro. Isso implica que títulos do Tesouro na carteira do BC seriam contabilizados como dívida pública, elevando o endividamento entre 10 e 15 pontos percentuais. O governo federal prefere manter o BC como autarquia e buscar soluções orçamentárias que não agravem a dívida, gerando resistência à atual formulação da PEC.
Argumentos do presidente do Banco Central sobre operações e resultados financeiros
Segundo Gabriel Galípolo, as operações do Banco Central para controlar a liquidez no mercado são feitas predominantemente com títulos públicos, o que reduz o impacto no balanço da instituição. O principal catalisador do resultado financeiro do BC são as variações cambiais, que geralmente geram lucro. Ele enfatiza que o BC absorve integralmente essas variações contábeis, questionando as preocupações sobre o impacto orçamentário da PEC e sugerindo que um acordo poderia ser firmado para avançar na autonomia sem comprometer as contas públicas.
Consequências políticas e econômicas do desgaste entre autoridades econômicas
A divergência entre Galípolo e o Ministério da Fazenda expõe um desafio para o governo na condução das reformas institucionais no setor econômico. A autonomia do Banco Central é um tema sensível, pois envolve a credibilidade da política monetária, o controle fiscal e o equilíbrio das contas públicas. O desgaste entre as lideranças pode atrasar a aprovação da PEC e criar insegurança nos mercados. A gestão futura do BC e sua relação com o Tesouro dependem do consenso político e técnico que ainda precisa ser construído, tornando o debate atual crucial para a estabilidade econômica do país.









