Medida pode beneficiar Lula entre classe C, mas rejeição ao governo e diversidade do eleitorado dificultam virada

A aprovação da PEC do fim da escala 6×1 não deve garantir a virada eleitoral do presidente Lula contra Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026, segundo analistas.
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estabelece o fim da escala 6×1 e a jornada de 40 horas semanais (PEC 221/2019) tem apelo popular, mas não é vista como decisiva para garantir uma virada eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das Eleições 2026.
Especialistas consultados avaliam que a PEC pode atrair parcela da classe C e parte dos eleitores que não compareceram ao primeiro turno, oferecendo uma promessa de melhor qualidade de vida para trabalhadores com emprego formal. Contudo, a insatisfação com a queda do poder de compra e a percepção sobre a qualidade dos serviços públicos também favorecem a candidatura de Bolsonaro.
O cientista político Flávio Santana destaca que a PEC poderá ajudar a reduzir a diferença entre os candidatos, mas dificilmente será suficiente para superar a rejeição ao governo e posições eleitorais consolidadas.
A classe C, que representa a maior fatia da população brasileira, é socialmente diversa, incluindo trabalhadores assalariados, autônomos e pequenos empreendedores. Essa heterogeneidade explica por que Bolsonaro obteve 53% das intenções de voto nesse segmento no primeiro turno, contra 37% de Lula.
Especialistas apontam que a PEC tende a beneficiar Lula especialmente entre empregados do comércio e serviços, que veem na ampliação do descanso semanal uma conquista concreta. Já os autônomos e empreendedores da classe C valorizam crescimento econômico e menor intervenção estatal, o que contribui para a rejeição ao governo atual.
Além disso, a campanha de Lula aposta que a aprovação da PEC mobilizará parte dos 33 milhões de eleitores que se abstiveram no primeiro turno, especialmente beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família, que têm ingressado no mercado de trabalho formal.
Ainda assim, analistas ponderam que os votos desses eleitores tendem a se dividir entre os dois candidatos, sem uma mobilização exclusiva para Lula. A mobilização política atingirá diferentes posições e regiões do país.
A promulgação da PEC 6×1 representa uma vitória política do governo no Congresso, mas o seu impacto eleitoral é moderado diante das complexidades socioeconômicas atuais do Brasil.
Em resumo, a PEC oferece um argumento e um fôlego à campanha petista, mas é insuficiente para superar a rejeição consolidada ao governo ou reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro rumo ao Palácio do Planalto.
Fonte: gazetadopovo.com.br










