CEO Jensen Huang afirma avanço da AGI com novo modelo, mas investidores se mostram céticos, refletindo dúvidas e valorização já embutida

Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirma ter sido desenvolvida IA capaz de rivalizar com humanos, mas o mercado reage com ceticismo e queda nas ações da empresa.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, causou rebuliço ao anunciar que a inteligência artificial geral (AGI) — aquela capaz de rivalizar com a versatilidade e proficiência humana — já teria sido alcançada com o modelo Astra, desenvolvido pela OpenAI e treinado em 100 mil chips Grace Blackwell. Apesar do impacto da afirmação, o mercado reagiu com ceticismo evidente: as ações da Nvidia caíram 2% após o anúncio, enquanto outras empresas mais expostas à OpenAI, como CoreWeave e SoftBank, valorizavam-se. Isso indica que investidores ou não acreditam totalmente na declaração ou já precificaram essa expectativa antecipadamente.
Mercado reflete dúvidas e já desconta crescimento
O fenômeno mostra que a Nvidia, gigante que domina o setor desde 2024, chegou a um ponto de saturação em seu crescimento, com resultados trimestrais recordes, mas sem convencer o mercado de que a AGI irá revolucionar a economia imediatamente. Analistas apontam que a empresa já é “grande demais para crescer” e que investidores estariam usando suas ações para financiar apostas em concorrentes menores. Além disso, especialistas ressaltam que a definição rigorosa de AGI — inteligência comparável a um adulto educado com capacidades cognitivas amplas — ainda não foi atingida por modelos atuais.
Ceticismo acadêmico e econômico
Pesquisadores como Gary Marcus e Basil Halperin enfatizam que, apesar dos avanços, as IAs atuais ainda não cumpririam critérios mínimos para AGI, como aprendizado rápido e comportamento social adequado. Experimentos práticos revelam que essas inteligências artificiais ainda demandam supervisão humana intensa para tarefas básicas. Do ponto de vista econômico, a verdadeira chegada da AGI deveria refletir-se no aumento das taxas reais de juros, sinalizando crescimento econômico acelerado — cenário que ainda não se concretizou. Pelo contrário, estudos indicam que os mercados reagiram com mais decepção do que entusiasmo aos lançamentos recentes.
Expectativa moderada para o futuro
A avaliação predominante é de um impacto econômico relevante, porém mais moderado do que o alardeado por entusiastas da AGI, projetando um crescimento comparável ao boom da internet dos anos 1990, só que acelerado. Assim, o mercado financeiro se mantém firme na análise pragmática, descartando visões utópicas e aguardando evidências sólidas de que a inteligência artificial geral poderá, de fato, transformar radicalmente a economia e a sociedade.










