Desemprego no menor nível em 14 anos pressiona política monetária e inflação de serviços

A massa salarial subiu 4,8% em 2026, enquanto a taxa de desemprego caiu a 5,6%, menor em 14 anos. Esse cenário aquece o consumo, dificulta o combate à inflação e prolonga a manutenção dos juros altos pelo Banco Central.
A taxa de desemprego brasileira caiu para 5,6% no trimestre encerrado em maio, o melhor índice dos últimos 14 anos, e a massa salarial real avançou expressivos 4,8% no ano, segundo dados recentes da Pnad divulgados nesta sexta-feira (26). Apesar de notícias animadoras para os trabalhadores, esse cenário robusto de emprego e renda tem um efeito colateral incômodo para a política monetária: a pressão inflacionária se mantém alta, forçando o Banco Central a manter juros elevados por mais tempo.### Mercado de trabalho forte impulsiona consumo e dificulta corte de juros Analistas da XP e do Goldman Sachs detectam sinais iniciais de desaceleração na criação de vagas e crescimento salarial, mas ainda insuficientes para aliviar a pressão inflacionária. “Mercado aquecido significa consumo firme, e consumo firme significa inflação de serviços resistente”, avalia João Debom, sócio da Alude Capital. O consumo robusto, alimentado por massa salarial em alta e desemprego em nível historicamente baixo, sustenta a inflação e limita a margem de manobra para cortes agressivos na Selic.### Ano eleitoral e estímulos fiscais complicam o quadro econômico Para o economista Vitor Kayo, o cenário eleitoral e os estímulos fiscais e creditícios mantêm o mercado de trabalho fortalecido, o que freia a desaceleração e mantém a inflação de serviços difícil de controlar. Claudia Moreno, do C6 Bank, destaca que mesmo com leve queda mensal na renda, a comparação anual ainda mostra forte alta, indicando que o mercado seguirá aquecido.### Projeções indicam estabilidade no desemprego e moderação gradual na economia Instituições financeiras como Itaú, Bradesco e XP projetam que a taxa de desemprego ficará próxima dos atuais 5,5% a 5,7% até o fim de 2026, com leve moderação na criação de vagas e crescimento salarial. Para o Bradesco, os dados de maio já sinalizam perda de ímpeto, mas ainda insuficiente para uma deterioração acentuada.### Banco Central enfrenta dilema em meio a inflação persistente O Banco Central permanece numa posição delicada diante do mercado de trabalho resiliente e da inflação resistente, sobretudo nos serviços, que pressionam o índice geral de preços. A manutenção dos juros altos é vista como necessária para evitar uma escalada inflacionária, mesmo que isso signifique um ritmo lento de queda da Selic. O cenário reforça a complexidade da política monetária num momento em que o consumo segue firme, impulsionado por mais brasileiros empregados e ganhando salários reais maiores.
Fonte: infomoney.com.br










