Presidente questiona autonomia do Banco Central e destaca necessidade de alinhamento da política econômica com programa eleito

Lula reafirma defesa da intervenção governamental na economia e critica a autonomia formal do Banco Central, alegando que limita a condução da política econômica pelo presidente eleito.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta quarta-feira (16) sua defesa para que o governante tenha poder de interferir diretamente na condução da economia, ao criticar a independência formal do Banco Central (BC). Durante sabatina na TV Record na noite anterior, Lula afirmou que o modelo adotado em 2021 para garantir a autonomia do BC não resolveu os problemas econômicos e restringe a capacidade do presidente eleito de conduzir a política econômica conforme o programa aprovado nas urnas.
Lula destacou, entre os principais pontos de crítica, a diferença na duração dos mandatos entre o presidente da República e os diretores do Comitê de Política Monetária (Copom), ressaltando que isso reduz o alinhamento da autoridade monetária com o governo em exercício. Ele lembrou que durante os dois primeiros anos do atual mandato conviveu com o comando do BC sob Roberto Campos Neto, indicado pelo governo anterior, o que, segundo ele, limita a influência direta do atual governo nas decisões de política monetária.
O presidente também associou historicamente a independência do BC a uma maior atenção aos interesses do mercado financeiro em detrimento das necessidades da população. Em ocasiões anteriores, classificou a autonomia da autoridade monetária como uma “bobagem” e questionou a manutenção de juros altos e da inflação mesmo sem interferência governamental direta.
Lula citou seu primeiro mandato presidencial, entre 2003 e 2010, período em que Henrique Meirelles presidiu o Banco Central. Segundo ele, havia autonomia na prática, mas baseada na confiança e na escolha do presidente da instituição pelo governo, e não em mandatos protegidos por lei.
Apesar das críticas públicas, o governo seguiu os procedimentos previstos em lei para preencher vagas na diretoria do BC, incluindo a indicação de Gabriel Galípolo para liderar a instituição.
Ao defender sua atuação na política econômica, Lula rejeitou questionamentos sobre sua responsabilidade fiscal e afirmou que preservará o controle das contas públicas em eventual quarto mandato. Ressaltou que o equilíbrio fiscal é responsabilidade do governo para evitar prejuízos à população mais vulnerável.
O presidente reafirmou a meta de combinar crescimento econômico com geração de empregos, aumento real do salário mínimo, redistribuição de renda e redução da inflação, destacando a importância de uma economia que beneficie toda a população.
Fonte: gazetadopovo.com.br









