Iniciativa une empresários e comunidades em busca de transformação social e lucro

Modelo de investimento de impacto propõe captação de recursos para comunidades com retorno financeiro.
Investimento de impacto: uma nova abordagem para a transformação social
Na noite desta terça-feira (25), Diego Barreto, CEO do iFood, promoveu um jantar em São Paulo para apoiar o projeto Favela 3D, uma iniciativa da ONG Gerando Falcões que atua em 15 comunidades. O objetivo é atrair investidores, oferecendo uma proposta inovadora que une o coração financeiro do país, Faria Lima, à realidade das favelas.
Este projeto-piloto visa captar R$ 3,6 milhões, prometendo um retorno de 8% ao ano. Barreto enfatizou que o modelo busca criar um novo paradigma que vai além da filantropia, propondo um investimento com retorno financeiro. “Estamos criando um novo paradigma diante do dilema entre filantropia, que tem o seu valor mas é limitada, versus investimento com retorno”, destacou o CEO.
Uma estrutura financeira inovadora
O projeto Favela 3D foi elaborado em parceria com Edu Lyra, fundador da Gerando Falcões, e conta com o suporte de instituições renomadas, incluindo o Bank of America e o escritório de advocacia Mattos Filho. A operação foi estruturada como uma emissão de debêntures, permitindo que investidores façam aportes que serão utilizados em projetos sociais nas comunidades beneficiadas.
“A gente quer juntar as KPIs [Indicadores-Chave de Desempenho] de negócio da favela com as KPIs de negócio da Faria Lima”, explicou Lyra. O plano é que o capital investido seja utilizado em iniciativas de infraestrutura, educação e geração de renda, com a promessa de devolução do valor investido pelas famílias selecionadas.
Um modelo replicável para o Terceiro Setor
Ao longo dos últimos anos, a Gerando Falcões implementou projetos com recursos filantrópicos, como a Favela Marte, que conseguiu reduzir o desemprego em uma comunidade de 70% para menos de 6%. No entanto, Lyra ressalta que o capital filantrópico é insuficiente para lidar com a crise da desigualdade no Brasil, onde existem cerca de 12 mil favelas. “É uma força de inovação, de potência”, afirma.
Tatiana Queiroz, presidente da Somos Um e investidora de impacto, enfatizou que o modelo não se trata de “blended finance”, mas sim de uma nova estratégia que transforma a doação em investimento. “Ao invés de ficar só ganhando dinheiro, é trocar juros por impacto. É disso que eles estão falando”, comentou.
O papel da tecnologia na tokenização
O projeto Favela 3D também incorpora tecnologia de tokenização, permitindo que investidores acompanhem os resultados e façam suas aplicações por meio de plataformas digitais. Felipe Whitaker, diretor da MB Ultra, explicou que a tokenização simplifica a jornada do investidor, permitindo aportes via PIX ou cartão de crédito. O retorno do investimento está estruturado como um papel de renda fixa, com retorno previsto ao longo de cinco anos.
O valor captado beneficiará 250 famílias já cadastradas no projeto. Cada beneficiário se comprometerá a devolver mensalmente R$ 292,88, com uma modelagem financeira que prevê uma taxa de inadimplência de 10%.
Perspectivas futuras e escalabilidade
Henri Zylberstajn, CEO da Zuk, acredita que esse modelo pode ser um divisor de águas para o Terceiro Setor. Com a participação de investidores de peso, como Bruno Setubal, da família Itaú, que investiu R$ 100 mil, a iniciativa já arrecadou R$ 1,8 milhão, atingindo metade da meta inicial.
Diego Barreto afirma que se esse modelo se provar eficaz, “o céu é o limite” para transformar a pobreza em uma oportunidade de investimento em escala. O sucesso deste projeto-piloto pode abrir as portas para a replicação do modelo em outras partes do Brasil e no mundo, permitindo que a transformação social seja vista como um ativo valioso.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Eliane Trindade










