Grupo iemenita lança mísseis contra sede do governo em Áden; coalizão saudita detalha ataques à infraestrutura

Os houthis dispararam mísseis contra o palácio presidencial em Áden, matando dois guardas, enquanto a coalizão liderada pela Arábia Saudita detalhou ataques a sua infraestrutura no Iêmen.
Os houthis, grupo iemenita alinhado ao Irã, lançaram mísseis contra o complexo do palácio presidencial em Áden, no sul do Iêmen, nesta quinta-feira, resultando na morte de dois guardas. O ataque foi o primeiro contra o palácio al-Maashiq, sede do governo apoiado pela Arábia Saudita e reconhecido internacionalmente, desde o início da escalada atual do conflito. O primeiro-ministro e os membros do gabinete estavam a salvo, conforme informou o ministro da Informação iemenita, Moammar al-Eryani. Testemunhas relataram fortes explosões próximas ao palácio, envolvendo mísseis e drones, segundo fontes locais.
O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, afirmou que o alvo foi o quartel-general das operações militares sauditas em Áden, parte da estratégia do grupo de atacar forças sauditas onde quer que estejam. A agência SABA, ligada aos houthis, declarou que o local era comandado por oficiais sauditas e abrigava depósitos de armas, informação não verificada de forma independente.
Os confrontos entre houthis e forças apoiadas pela Arábia Saudita foram retomados recentemente, com avanços territoriais próximos ao estratégico Estreito de Bab el-Mandeb. Moradores da cidade de Taiz enfrentam bombardeios intensificados e escassez de suprimentos à medida que os houthis consolidam posições na região.
O conflito no Iêmen, iniciado em 2014 com a tomada da capital Sanaa pelos houthis, evoluiu para um impasse após intervenção militar saudita em 2015. Um acordo de trégua em 2022 manteve relativa estabilidade até o ressurgimento da violência neste ano.
A Arábia Saudita, com considerável orçamento militar e tecnologia dos EUA, enfrenta dificuldades para neutralizar os ataques com drones e mísseis disparados pelos houthis contra aeroportos, portos e instalações petrolíferas, o que impacta a infraestrutura civil e os planos econômicos do país.
Nesta quinta-feira, a coalizão liderada pelos sauditas informou que os houthis realizaram 20 ataques ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, com 17 mortos e 333 feridos. Ataques similares no aeroporto de Abha resultaram em três mortes e 28 feridos, segundo dados oficiais. A Organização da Aviação Civil Internacional, da ONU, condenou os ataques recentes a infraestruturas de aviação na Arábia Saudita.
Este cenário reflete o agravamento do conflito no Iêmen, que continua a gerar impactos regionais e humanitários significativos, com o envolvimento direto de potências do Golfo e atores internacionais.









