Valor recorde ainda fica abaixo do pedido do setor, mostra limitação do governo diante da alta dos juros

Governo anuncia Plano Safra 26/27 com crédito de R$ 525 bilhões para agricultura empresarial, aumento tímido diante da pressão dos juros altos e limite fiscal.
O governo federal revelou nesta terça-feira (30) o Plano Safra para o biênio 2026/2027, destinado à agricultura empresarial, com um montante recorde de R$ 525,1 bilhões em crédito. Apesar do valor elevado, o anúncio expõe as limitações do governo diante da pressão dos juros altos, que mantêm a Selic na estratosfera de 14,25%, e o teto de recursos disponíveis para financiar o agronegócio.
Valor recorde, mas aquém do necessário
O volume destinado ao financiamento de médios e grandes produtores representa apenas um acréscimo de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior, o que corresponde a um aumento modesto de 1,7%. O setor, porém, recomendou ao governo a liberação de R$ 652 bilhões, evidenciando a defasagem entre a demanda real e a oferta oficial.
Juros ainda pesam sobre o campo
Com a taxa básica de juros recuando lentamente, o custo dos financiamentos para a agricultura empresarial sofrerá uma redução tímida, variando entre 8% e 12,5%. Para tentar compensar o impacto do custo do dinheiro, o governo ampliou a participação do Tesouro na subvenção dos juros, elevando o valor para R$ 5,56 bilhões — uma medida que busca evitar um estrangulamento financeiro do setor.
Agricultura familiar também recebe atenção
O plano reserva R$ 83 bilhões para a agricultura familiar, totalizando R$ 608 bilhões para todo o segmento rural. Detalhes sobre as medidas específicas para pequenos produtores serão divulgados pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e pelo ministro da Agricultura, André de Paula (PSD), em eventos previstos para a terça-feira.
Pressão política e econômica para 2026
O Plano Safra chega em um momento de pressão econômica intensa, com juros altos e restrições orçamentárias limitando a atuação governamental. O equilíbrio entre sustentar o agronegócio, fundamental para a economia, e controlar gastos públicos pode influenciar decisões estratégicas e políticas com vistas às eleições de 2026. O setor produtivo, apesar do crédito recorde, segue pressionado e atento ao desempenho do governo para garantir condições reais de crescimento.









