Governo injeta R$ 4 bilhões no Desenrola 2.0 e nega risco inflacionário


Ministros afirmam que programa reduz juros altos sem estimular consumo, mas especialistas seguem céticos

REUTERS/Adriano Machado

Governo federal anuncia aporte de R$ 4 bilhões para o Desenrola 2.0, programa que troca dívidas caras por crédito barato, e nega que medida acentue a inflação. Ministros destacam que iniciativa é substitutiva, não estimuladora do consumo.

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (29) um aporte de R$ 4 bilhões para a nova fase do programa Desenrola, que visa substituir empréstimos caros por crédito mais barato para consumidores adimplentes. Durante o lançamento, os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) reforçaram que o programa não representa estímulo ao consumo e não comprometerá a luta do Banco Central contra a inflação.

Governo insiste na defesa contra críticas de impacto inflacionário

Na tentativa de afastar as suspeitas do mercado sobre um possível afrouxamento da política monetária, Durigan classificou a associação do Desenrola 2.0 com riscos inflacionários como uma “enorme forçação de barra”. Segundo ele, o programa não cria consumo novo, apenas reduz o custo financeiro para quem atualmente paga juros elevados.

Aporte financeiro e estrutura do programa

O Tesouro Nacional realizará o aporte de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3 bilhões para o Desenrola Adimplentes e R$ 1 bilhão para o Fies Empreendedor. Esses recursos funcionarão como funding para as operações de crédito concedidas pelos bancos, que deverão devolver o montante ao governo. Moretti esclareceu que essa operação tem natureza financeira, não impactando o resultado primário das contas públicas.

Público-alvo e riscos avaliados

O programa busca alcançar principalmente trabalhadores informais, que frequentemente enfrentam juros altíssimos no Crédito Direto ao Consumidor (CDC) por não terem acesso a modalidades mais baratas como o crédito consignado. A iniciativa pretende aliviar o comprometimento da renda e reduzir o risco de inadimplência.

Apesar das garantias oficiais, analistas econômicos mantêm cautela diante da expansão do crédito em um cenário de taxa básica de juros elevada, que tem o objetivo claro de conter a inflação.

Medidas pontuais e equilíbrio fiscal

Durigan acrescentou que o governo tem adotado medidas específicas para setores vulneráveis sem gerar desequilíbrios macroeconômicos, como as recentes ações para reduzir o impacto da alta dos combustíveis. A expectativa é que o Desenrola Adimplentes comece a operar logo após regulamentação e adesão dos bancos, que serão responsáveis por oferecer as trocas de crédito aos consumidores elegíveis.

O programa chega como mais uma tentativa do governo de apresentar soluções financeiras aparentes para a população, enquanto mantém o discurso de controle inflacionário — um jogo de equilíbrio delicado que precisa ser monitorado de perto para evitar surpresas econômicas desagradáveis.


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