Base aliada pressiona Senado para aprovar mudança na jornada de trabalho e evitar desgaste eleitoral para Lula

Governistas no Senado aceleram tramitação da PEC que reduz jornada de trabalho para aprová-la na última semana antes do primeiro turno, buscando consolidar vitória política para Lula e pressionar opositores.
Integrantes da bancada governista no Senado estão empenhados em acelerar a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, buscando aprová-la no plenário da Casa já na próxima semana, antes do primeiro turno das eleições. A articulação revela o esforço político do governo Lula para consolidar uma vitrine legislativa favorável e evitar desgaste eleitoral.
Estratégia acelerada para garantir a aprovação
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), aguarda o parecer do relator, Omar Aziz (PSD-AM), previsto para quinta-feira, para colocar a proposta em votação na próxima quarta. A intenção é votar na CCJ e levar rapidamente a PEC ao plenário durante o esforço concentrado que termina na sexta-feira. A decisão final sobre inclusão na pauta plenária cabe a Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, que ainda não sinalizou data específica.
Pressão política e recuo da oposição
Apesar da resistência da oposição, que tenta protelar a votação com pedidos de vista e emendas, governistas apostam que poucos senadores contrariarão o apelo popular pela redução da jornada, especialmente os candidatos à reeleição. O relator Omar Aziz defende a proposta como uma reivindicação dos trabalhadores e alerta para o risco político de rejeitar a matéria.
Proposta e contexto eleitoral
A PEC aprovada na Câmara reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. O texto entra na agenda prioritária do governo Lula, que pretende usar a medida como destaque na campanha. A reaproximação entre Lula e Alcolumbre destravou a pauta, com aval para o relator acelerar o processo.
Resistência e alternativa da oposição
A oposição, liderada por aliados de Flávio Bolsonaro, busca adiar a votação para evitar que a medida fortaleça Lula nas urnas. O senador Rogério Marinho (PL-RN) apresentou proposta alternativa que mantém o regime tradicional da CLT e flexibiliza jornada e compensação por acordo individual ou coletivo.
A corrida contra o relógio marca o cenário político no Senado, onde o governo tenta capitalizar ganhos legislativos enquanto a oposição busca frear a agenda governista em plena campanha eleitoral.








