Em uma década, o presidente da Fifa consolidou a entidade como ator político e ampliou competições internacionais

Gianni Infantino transforma a Fifa em protagonista geopolítico e expande campeonatos em uma gestão marcada por diplomacia e controvérsias.
Gianni Infantino e a transformação política da Fifa nos últimos dez anos
Gianni Infantino consolidou a Fifa como um ator político global ao longo de seus dez anos no comando da entidade, destacando-se pela aproximação da organização a disputas geopolíticas complexas. Desde 26 de fevereiro de 2016, o dirigente suíço-italiano tem atuado como um diplomata esportivo, estabelecendo conexões com chefes de Estado e participando de fóruns internacionais, como o Fórum Econômico Mundial e o recém-criado Conselho de Paz liderado pelos Estados Unidos. A keyphrase “Gianni Infantino” revela seu papel central na redefinição da Fifa como uma plataforma que vai além das competições futebolísticas tradicionais.
A polêmica relação com líderes globais e os desafios da neutralidade
A relação estreita de Infantino com líderes como Donald Trump gerou controvérsias e investigações por parte do Comitê Olímpico Internacional (COI), que questionou a neutralidade do presidente da Fifa, sobretudo após sua participação no Conselho de Paz em Washington e o uso simbólico de um boné com referências ao ex-presidente americano. Apesar da apuração, Infantino foi absolvido, com a justificativa de que a Fifa atuava em colaboração para a reconstrução de regiões afetadas por conflitos, demonstrando um alinhamento estratégico que ultrapassa o limite esportivo tradicional.
Ampliação das competições e redefinição do calendário futebolístico mundial
Durante sua gestão, Infantino impulsionou a expansão da Copa do Mundo, aumentando o número de seleções participantes de 32 para 48 a partir do torneio de 2026, sediado por Estados Unidos, México e Canadá. Além disso, a reformulação do Mundial de Clubes para 32 equipes, com a primeira edição realizada nos EUA e vencida pelo Chelsea, evidencia a estratégia de globalização e maior alcance da Fifa sob seu comando. Essas mudanças refletem uma visão voltada para a expansão do futebol como produto mundial.
Diplomacia esportiva: diálogo com regimes autoritários para promover o futebol feminino
Infantino adotou uma postura pragmática ao manter diálogo com países considerados repressivos, como Irã e Coreia do Norte, visando avanços na inclusão do futebol feminino. Destaca-se a permissão para mulheres iranianas frequentarem estádios após décadas de restrições e a visita a Pyongyang, que resultou em conquistas importantes nas categorias juvenis femininas. Essa abordagem demonstra o uso do esporte como ferramenta de aproximação e transformação social, mesmo em contextos geopolíticos delicados.
Legado, continuidade e perspectivas para a Fifa sob Infantino
Eleito em meio a um cenário de crise e escândalos que abalaram a Fifa, Infantino capitalizou o apoio das federações nacionais ao apresentar propostas de renovação e expansão, prometendo uma “nova era” para o futebol mundial. Reeleito por aclamação em 2023 como único candidato, ele poderá exercer um mandato adicional até 2031, totalizando 15 anos no poder. Essa continuidade sugere a manutenção da estratégia política e esportiva que caracteriza sua gestão, com foco na ampliação da influência global da Fifa e na diplomacia esportiva como ferramenta de mediação internacional.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reuters










